Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 12/11/2021

Segundo a Lei da Inércia, de Newton, um corpo permanece em repouso quando nenhuma força é exercida sobre ele. Fora da Física, é possível perceber a mesma condição no que concerne a questão da pobreza menstrual no Brasil, situação em que diversas meninas não têm acesso a itens de higiene básica, que segue sem uma intervenção que a resolva. Diante dessa perspectiva, essa questão configura-se como um grave obstáculo, em virtude da falta de debate e da baixa atuação estatal.

Primordialmente, é possível destacar que a falta de debate acerca dos altos índices de pobreza menstrual na sociedade brasileira é um fator consolidador do problema. Contrariando a frase do célebre filósofo Jürgen Habermas: “A linguagem é uma verdadeira forma de ação”, a cultura brasileira, em grande parte, prega a ignorância e trata a questão como algo trivial. Esse processo fortalece nos cidadãos a ideia de que o problema não existe e que não é necessário discutir a seu respeito. Como resultado, a problemática não é debatida de forma séria e massiva, e o cenário permanece no Brasil, o que contraria a proposição de Habermas.

Outrossim, é imperativo pontuar que a pobreza menstrual no Brasil deriva da baixa atuação dos setores governamentais. Posto isso, segundo dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância, mais de 4 milhões de meninas que frequentam a escola não têm acesso a itens mínimos de cuidados menstruais no Brasil. Nesse sentido, é notável a ineficácia estatal em criar mecanismos para coibir o problema, visto que, apesar de uma parcela significativa da população não ter acesso a absorventes, o Estado não atua sobre o problema. Com efeito, a ocorrência de meninas sem acesso a absorventes se tornará cada vez mais comum nos cotidianos dos cidadãos, ocasionando um sentimento de desamparo nas vítimas. Logo, faz-se necessária a reformulação da postura estatal de forma urgente.

Portanto, são necessárias medidas que atenuem a pobreza menstrual no Brasil. Desse modo, o Ministério da Educação, em parceria com o Tribunal de Contas da União, deve realizar pesquisas nas escolas brasileiras, por meio de formulários online e presencialmente, a fim de localizar escolas que necessitam da colocação de absorventes gratuitos para as alunas, para que as vítimas recebam o devido suporte estatal. Somente assim, será possível atenuar o cenário e oferecer suporte para as vítimas.