Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 13/11/2021

Na série televisiva “The Bold Type”, Jane é surpreendida ao descobrir que o projeto social de uma empresa para distribuir  coletores menstruais a pessoas em situação de pobreza menstrual, tem causado o desenvolvimento de graves infecções, devido a condições de higiene insalubres. Fora da ficção, a pobreza menstrual é uma realidade no Brasil, atingindo pessoas com útero sem disposição de bancar mensalmente uma condição biológica de seus corpos, assim como, sem a segurança necessária para utilizar produtos reutilizáveis.

Cabe ressaltar, primeiramente, que o artigo 5º da constituição defende o direito a saúde não apenas como um direito a vida, mas também, ao direito de uma vida digna. Portanto, o não reconhecimento das necessidades de higiene básica, de pessoas com um orgão, que afeta diariamente sua condição de vida e sua saúde, é um desrespeito claro a esta lei.

Ademais, é de extrema importância ressaltar que em uma pesquisa, realizada pelo site do senado, quase 15% da população brasileira em 2019 estavam vivendo com menos de 246 reais mensais. Tal renda mensal, torna inviável, a transferência da responsabilidade do consumo de um item de saúde, para pessoas que vivem em situação de insegurança alimentar.

Torna-se evidente, portanto, que são necessárias ações que promovam o acesso a saúde menstrual no Brasil. Desta forma, cabe ao Governo, juntamente com o Ministério da Saúde, promoverem a distribuição gratuita de absorventes em postos de saúde e escolas. Não obstante, também é de suma importância que as escolas públicas e privadas, reservem aulas para ensinar sobre o funcionamento dos corpos com útero e seu processo de higienização, assim como, os diversos tipos de produtos para a coletagem da menstruação e como devem ser utilizados, higienizados ou descartados. Para que assim, projetos sociais como o implantado em “The Bold Type”, não acarretem em mais problemas a quem necessita deles.