Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 12/11/2021
O artigo sexto da Constitução brasileira assegura como direito do cidadão o acesso à saúde. No entanto, tal documento se contradiz quando se percebe os desafios ao combate à pobreza menstrual, sendo agravado pela falta de conhecimento sobre o assunto e pelo machismo.
Em primeira análise, observa-se como o negligenciamento sobre o ciclo menstrual nas escolas dificulta o combate a tal fato. Nessa perspectiva, é oportuno analisar a série “Sex education”, a qual retrata as aulas precárias oferecidas pela escola sobre o corpo feminino, sendo exclusivamente para as meninas. O longa exemplifica muito bem a realidade da maior parte das escolas brasileiras, as quais retraram, raramente e superficialmente, a fisiologia da mulher, colaborando para que o assunto como menstruação se torne um tabu e algo que deve ser escondido. Consequentemente, tal fato gera constrangimento nas garotas que estão em período menstrual, visto que elas não encontram um espaço onde se sintam confortáveis para a discussão de tal assunto.
Em segunda análise, nota-se como o machismo colabora com o aumento dos desafios no combate a indigência menstrual. Nessa óptica vale ressaltar a filósofa Simone Beavouir, a qual retrata em sua filosofia como a mulher é colocada em segundo plano dentro de uma sociedade governada por homens. De maneira análoga, o ambiente atual se assemelha aos pensamentos de Beavouir, posto que medidas básicas para a saúde higiênica da mulher ainda é uma pauta a ser analisada, como aboradado em reportagens da CNI, e não uma realidade que permite o acesso gratuito a esses bens a todas. Desse modo, pode-se concluir que mulheres, principalmente as de classe baixa, se encontram vulneráveis em um governo patriarcal, o qual vê absorvente como um produto cosmético.
Portanto, depreende-se a necessidade de medidas que revertam esse cenário. Nessa óptica, os governos municipais devem oferecer gratuitamente produtos , como absorventes,tampões, sabonetes, e espaços para a realização da higiene pessoal da mulher em período menstrual. Além disso, as escolas devem tratar abertamente nas salas de aulas sobre o processo da menstruação e realizar palestras, abertas ao público dirigidas por ginecologistas, a fim de informar a comunidade. Se tais ações forem colocadas em prática, o Brasil poderá se orgulhar de estar cumprindo com sua Constituição.