Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 12/11/2021
O documentário da Netflix “quebrando tabu” dirigido por Rayka Zehtabchi trás uma crítica sobre como é vista a menstruação como tema, em um contexto de um país como a Índia. Por mais que aqui no Brasil o acesso da informação sobre esse tema seja mais fácil, podemos perceber uma relação do documentario com o acesso de recursos, como absorventes no país. Diante a isso, é correto afirmar que a falta de informação e disponibilidade, além de muitas vezes as meninas que passam por essa fase, terem vergonha de falar e buscar ajuda sobre o assunto pode gerar esse problema.
Assim, a falta de informação e disponibilidade vem desde a base, na socialização primaria, em ambientes como a escola e a família. De modo que a própria família da adolescente não consegue se expressar direito sobre o que ocorre no processo, o que ela ira sentir e o que fazer para conter esse problema, não só em caso de meninas, muitos homens não sabem o que é o ciclo menstrual, como vemos por exemplo no próprio documentário citado. Além disso as escolas muitas vezes não falam sobre o assunto, e também não dão condições higiênicas descontente, um estudo feito por Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), mostra que em regiões como Norte, Nordeste e Centro Oeste a porcentagem de escolas que apresentam condições mínimas para cuidado menstrual na escola é abaixo de 60% e em regiões como Sul e Sudeste é abaixo de 70%. Assim percebemos a falta de estrutura e de recursos básicos para as meninas passando pelo ciclo.
Além disso a vergonha das próprias meninas para pedir ajuda sobre a menstruação, gera também uma falta de informação. De modo que essa vergonha não prejudica só na informação da menina, mas também em um contexto social, deixando de ir a escola por causa da menstruação, isso é comprovado por um estudo feito pelo UNICEF e pelo UNFPA, que das meninas que menstruaram 62% já desistiram de ir a escola por causa da vergonha. Também outra pesquisa feita pela FEBRASGO juntamente com o Datafolha, mostra que mais de 16 milhões de mulheres não se examinam a mais de um ano com um ginecologista por vergonha. Desse modo vemos que isso pode prejudicar até como a menina irá conter o ciclo, usando formas que não sejam recomendadas por vergonha de pedir ajuda.
Levando em consideração toda a discussão, vemos que a pobreza menstrual, vai além da falta de recursos, também é necessária uma quebra de tabu e uma reformulação nas estruturas básicas de ensino. Para isso conscientizações em escolas e a distribuição dada pelo governo de recursos além da estrutura básica de higiene obrigatória nas escolas, o assunto iria ficar mais normal de ser discutido, como ele deveria ser.