Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 13/11/2021

A menstruação é um processo comum para todas as mulheres que atingem um período fértil, no qual o colo uterino se descama pela falta de fertilização e resulta em um sangramento vaginal. Por conta disso, muitas mulheres precisam de itens para cuidado e higiene pessoal, porém, devido a desinformação e a um tabu imposto pela sociedade sobre a menstruação, muitas mulheres brasileiras acabam por não ter tais recursos básicos e essenciais. Isso é algo extremamente recorrente e inadmissível, tornando então urgente uma mudança no sistema atual para sanar o problema.

A própria constituição de 1988 já prevê que o direito à saúde é algo inerente a todo e qualquer cidadão brasileiro, porém claramente essa lei não se mostra vigorante em relação à pobreza menstrual no Brasil, onde, de acordo com o Unicef, mais de 4 milhões de meninas não têm acesso a itens mínimos de cuidados menstruais por conta dos preços e impostos cobrados sobre eles. Esse pode ser um problema que parece banal, mas é de extremo desconforto para as mulheres, tendo 60% das jovens que já menstruaram deixado de ir em algum lugar, como à escola, por estarem desconfortáveis com relação ao assunto.

E aqueles que acham que isso é apenas um problema gerado pela crise econômica, a qual não deixa as meninas comprarem os itens necessários, estão redondamente enganados, é um problema educacional também. Muitos meninos não fazem nem ideia do que é a menstruação e até mesmo algumas das meninas não têm noção alguma do que isso até que passem pela menarca. A falta de interesse dos mais velhos em ensinar os jovens e principalmente o tabu imposto sobre o assunto priva os jovens de se prepararem para situações que podem ocorrer em decorrência disso, causando mais problemas e desconforto aos cidadãos.

Tendo isso em mente, conclui-se que de fato a pobreza menstrual é algo muito sério e que deve ser combatido com urgência no Brasil. Para isso, a melhor forma seria aprovando uma lei que não só disponibilizasse os itens necessários para as mulheres necessitadas de forma gratuita, mas também iniciasse programas para conscientização e educação da população de forma geral sobre o assunto. E tal lei na verdade já foi proposta pela deputada Marília Arraes e até aprovada pelo senado, porém o Presidente Jair Bolsonaro vetou-a porque o projeto “não apresentava a fonte de custeio para os atos”, sendo que na verdade a lei previu que o dinheiro viria dos recursos que são destinados ao SUS. Sendo assim, a melhor coisa que pode-se fazer é pressionar o Senado a revogar o veto presidencial para que assim a lei possa ser aplicada e enfim muitas mulheres possam viver de forma mais plena e tranquila em relação aos próprios corpos e à sociedade.