Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 15/11/2021

Durante o Período Colonial Brasileiro, por não saberem o que fazer com o sangramento, as mulheres menstruadas eram obrigadas a se resguardar, muitas vezes de atividades importantes. Análogo ao contexto histórico, esse resguardo prejudicial também ocorre atualmente na realidade brasileira, haja vista os inúmeros desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil. Em sintese, essas nefastas adversidades ocorrem como subproduto do tabu associado à menstruação e da ausência de programas de saúde feminina. Sendo assim, urge uma análise e a resolução desses entraves para que todos, independente do sexo, possam ter a mesma liberdade.

Inicialmente, é fulcral postular que o tabu associado à menstruação contribui para que o combate à pobreza menstrual seja dotado de desafios. Segundo o ex-presidente sul-africano Nelson Mandela, ninguém nasce com comportamento preestabelecidos, se aprende a se comportar diante do que é bem ou malvisto pela sociedade. À luz dessa perspectiva, a reprovação moral associada à menstruação impede que haja um enriquecimento na mentalidade social a respeito da questão menstrual, uma vez que essa rejeição culturalmente repercutida, como proposto por Mandela, tende a favorecer tanto a vergonha das mulheres - com comportamento de reclusão - quanto a adversidade dos homens. Nesse viés, muitas cidadãs são obrigadas a abdicar da liberdade quando estão menstruadas.

Ademais, é válido destacar que a falta de programas de saúde para a mulher também corrobora para o aumento dos desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil. Conquanto a Constituição Federal de 1988 assegure que é dever do Estado garantir a Higidez de qualidade para todos os cidadãos, isso não está sendo cumprido, uma vez que a ausencia de projetos de suporte a saúde feminina, como distribuição gratuita de absorventes, obriga diversas cidadãs menstruadas a viverem em uma condição não digna de higiene - muitas vezes utilizando anteparos não indicados para segurar o sengue. A par disso, poucas mulheres conseguem acessar a saúde adequada durante a mentruação.

Por fim, em observação aos fatos apresentados, é necessária uma intervenção imediata. Nesse âmbito, a sociedade conscientizada - protagonista das mudanças sociais - a respeito da pobreza menstrual deve se manifestar, por meio de postagens nas sociais sociais, a fim de conscientizar mais pessoas e mitigar os tabus associados a essa problemática. Por sua vez, o poder público, na figura do Ministério da Saúde - órgão responsável por garantir o direito a higidez - deve disponibilizar suporte gratuito às mulheres menstruadas, mediante a criação de centros de saúde feminina, um fim de tornar digna a condição das mulheres durante o período menstrual. Feito isso, a pobreza menstrual será combatida e a sociedade se distanciará a do Período Colonial.