Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 13/11/2021
O filme “Homem-Absorvente’’, produção baseada na vida real, mostra como a situação de vulnerabilidade e de pobreza menstrual vivida pelas mulheres da Índia era extrema e de que maneira um empreendedor mudou parte desse cenário a partir da criação de uma máquina de absorventes de baixo custo. Paralelo a isso, a realidade menstrual precária observada na obra audiovisual acontece também no Brasil, visto que a pobreza menstrual permanece e necessita de ser enfrentada. Sob este viés, deve-se analisar quais os maiores desafios no combate à essa problemática, a citar, a ineficácia governamental e o tabu construído socialmente acerca do assunto.
Em primeira análise, destaca-se que a existência de um Estado inoperante e ineficaz colabora diretamente com uma série de falhas no sistema de saúde pública. Isso é comprovado com o recente acontecimento em que o presidente Jair Bolsonaro vetou a distribuição gratuita de absorventes para pessoas de baixa renda, medida prevista no Projeto de Lei 4968, que foi aprovado pela Câmara dos Deputados e Senado Federal. A situação torna-se ainda mais grave quando leva-se em consideração os dados de uma pesquisa realizada em 2018 pela marca Sempre Livre, que mostrou que 22% das meninas de 12 a 14 anos não têm acesso a produtos higiênicos adequados para a menstruação no Brasil e esse número o sobe para 26% entre adolescentes de 15 a 17 anos. Assim, comprova-se que a problemática da pobreza menstrual é alarmante e há a postura de descaso por parte dos governantes, o que caracteriza-se como um dos maiores impasses no combate à pobreza menstrual no Brasil.
Outrossim, os incontáveis tabus e estereótipos que envolvem o assunto da menstruação, causados principalmente pela falta de ensinamento sobre esse tema em escolas, representam empecilhos à resolução do problema apresentado. Segundo dados da pesquisa da marca Sempre Livre, 54% das mulheres entre 14 e 24 anos não sabiam nada ou tinham poucas informações sobre menstruação no momento da menarca. Além disso, entre as pessoas que menstruam, 71% nunca tiveram aulas, palestras ou rodas de conversa sobre cuidados na menstruação na escola. Nesse sentido, essa escassez no compartilhamento de informações reforça os paradigmas existentes com relação à menstruação. Desse modo, é indiscutível que antes de combater a ineficácia governamental, é fundamental erradicar o preconceito enraizado.
Portanto, cabe ao Governo Federal, por meio dos Ministérios da Cidadania e da Saúde, a criação de projetos de arrecadação e distribuição de absorventes para mulheres cadastradas nas redes de assistência pública e em situação de vulnerabilidade social. Ademais, deve-se incluir nas escolas palestras informativas acerca desse assunto, a fim de acabar com os mitos e tabus da menstruação.