Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 13/11/2021
”Menstruação é o único sangue que não vem da violência e é o que mais te enoja”, diz o perfil no Instagram “Quebrando o Tabu”. O que reflete muito na situação atual do Brasil, em que uma em cada quatro adolescentes não possui acesso à absorventes e/ou utensílios para o período, provavelmente decorrente de anos e anos de enojamento perante a esse fenômeno natural. Propondo uma análise reflectiva em visão aos pontos que mais se destacam quando se menciona pobreza menstrual, que seriam a falta de diálogo sobre o assunto, por questão de vergonha ou constrangimento, e a dificuldade no acesso a produtos menstruais.
Em primeira análise, a falta de diálogo é um assunto com necessidade de destaque, pois é dele que a grande maioria dos outros fatores vai derivar. Há muito constrangimento quando o assunto é menstruação, o que incentiva a falta de conversa, e se não há uma fala sobre o que é o ato de menstruar, dificilmente haverá noção de como responder ou solucionar de maneira coerente os problemas relacionados. Por exemplo, perante a um estudo recente realizado por um fabricante de absorventes na Índia, foi descoberto que 75% das mulheres que vivem em cidades compram os produtos envoltos em embalagens marrons ou jornais para esconder que estão no período.
De segunda maneira, a falta de acesso a produtos é também um fator que participa demasiado no assunto. Quando não tem disponibilidade de produtos, as pessoas menstruadas precisam recorrer a outros métodos para evitar que passem por problemas, como a utilização de materiais como panos (geralmente sujos ou velhos) ou até miolos de pão. O relato de Manju, no mesmo estudo realizado na Índia, diz: “Minha mãe costumava cortar lençóis velhos e esconder os pedaços em uma caixa, pronta para ser usada por suas quatro filhas”, o que demonstra a falta de recursos.
Em suma, a pobreza menstrual deriva-se de um tabu suportado por muitos anos de constrangimento e vergonha, o que leva ao silêncio. E, com o silêncio, o público fica sem conhecimento sobre o assunto, o que gera uma diminuição na produção de recursos para o período e muitos outros problemas. Com isso, seria coerente iniciarem mais campanhas de produção independente de absorventes, por meio de ações do Governo, em lugares mais necessitados com a intenção de proporcionar uma chance para as pessoas que menstruam de conseguirem ter o necessário e, ao mesmo tempo, quebrarem aos poucos essa barreira negativa no modo de enxergar a mesntruação.