Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 15/11/2021

Consoante a escritora alemã Hannah Arendt, a essência dos Direitos Humanos é justamente a virtude de tê-los. Entretanto, vê-se que, na prática, os preceitos explicitados pela estudiosa são veementemente violados, visto que os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil configuram entrave para a realização dos planos de Hannah e contribuem para grave problema social: o pudor. Nessa perspectiva, este óbice é ocasionado pela ausência de diálogo nas escolas sobre à menstruação e, além disso, é impulsionado pela desigualdade de gênero.

Precipuamente, é fulcral pontuar que o preconceito em torno da questão menstrual deriva da baixa participação escolar, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Nesse viés, Chimamanda Ngozi - expoente autora nigeriana e criadora do conceito de “Status quo” - cita que a mudança cognitiva, apesar de árdua, é necessária para a evolução. Contudo, o colégio que, em tese, deveria ser responsável pela modificação do intelecto dos cidadãos, tão valiosa na concepção de Ngozi, mantém postura omissa em relação à importância do debate acerca da pobreza menstrual vivenciada por milhares de jovens em todo o país e, dessa forma, corrobora para a negação de direitos estabelecidos contitucionalmente como, por exemplo, o direito à dignidade. Sendo assim, é paradoxal que uma nação democrática seja aristocrática na garantia de seus preceitos.

Ademais, vale salientar que a desigualdade de gênero é fator crucial na intensificação da carência menstrual. Dessa maneira, segundo Simone de Beauvoir, ativista francesa, ser mulher é tornar-se, ou seja, o ser feminimo é construído. Nesse sentido, a reflexão trazida pela feminista faz-se necessária no cenário hodierno, haja vista que a estrutura social vigente no Brasil é patriarcal e, nessa óptica, não valoriza a figura feminina, obrigando esta ter uma postura ativa, como exigir debates nas escolas que falem abertamente sobre menstruação, diante de situações como a de pobreza menstual visando uma sociedade mais justa e igualitária. Dessarte, é notório o descaso governamental em manter a equidade que só é observada na teoria.

Portanto, a fim de encontrar uma medida para a questão da privação menstrual, convém analisarmos soluções plausíveis. Para tanto, é imprescindível que o Estado - responsável pela dirigência da nação - promova políticas públicas de distribuição de absorventes nas escolas de ensino fundamental e médio, por meio de profissionais da saúde como médicos e enfermeiros, com o fito de mitigar o pudor relacionado à menstruação. Fazendo com que o diálogo opere livrimente no ambiente escolar e fora dele. Só assim será possível efetuar a igualdade de gênero entre homens e mulheres e concretizar os direitos supracitados por Hannah Arendt.