Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 14/11/2021
Na Antiguidade Oriental, a menstruação era tratada como um processo ruim de liberação de toxinas e a mulher era afastada do convívio social nesse período, posteriormente no Egito Antigo passou-se a utilizar canudos feitos de papiro e tecido para reter o sangramento, até o desenvolvimento do absorvente de polietileno. Na contemporaneidade, a menstruação não é mais um problema, contudo, a falta de recursos financeiros e a falta de conhecimento básico de saúde por parte do corpo social aumentam os desafios no combate a pobreza menstrual no Brasil.
Decerto, o maior entrave é a falta de recursos financeiros, o que impede a população de menor renda acessar itens básicos como absorventes que estão na classificação de cosméticos recebendo alta taxa de impostos. De fato, tal atitude se relaciona ao contexto social defendido pelo sociólogo Émile Durkheim, de que a sociedade determina as ações do indivíduo. Um exemplo disso é o valor cobrado pelos absorventes e a realidade econômica da população brasileira, que tem que escolher entre comprar alimento ou produtos de higiene tornando o absorvente um produto de luxo entre as classes carentes, que segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PenSE), de 2020, 28% das meninas escolares do nono ano nunca tiveram acesso a absorvente.
Ademais, a falta de conhecimento básico de saúde por parte do corpo social dificulta a conscientização. Conforme José Saramago, a sociedade vive um fenômeno de cegueira moral, que consiste em se preocupar apenas com interesses próprios, sendo indiferente diante de um problema social. Consoante com o pensamento do escritor português, enquanto o Ministério da Saúde não informar sobre a importância do acesso aos produtos relacionados a saúde íntima da mulher para toda população, parte das mulheres continuará utilizando jornal, pano e miolo de pão para conter o fluxo sanguíneo, podendo desenvolver infecções urinárias e vaginais, além de perpetuar o ciclo da pobreza, visto que, essas mulheres deixam de frequentar a escola durante o período menstrual, o que acentua a desigualdade social, sendo também um dos motivos da evasão escolar.
Destarte, para acabar com a pobreza menstrual no Brasil, é necessário que os Ministérios da Saúde e Educação, promovam nas escolas palestras ministradas por médicos e enfermeiros, no horário noturno livre para a maioria, que informe sobre a relevância da utilização de absorvente e coletores menstruais, desestimulando o uso de métodos alternativos que cause doenças e ensine as mulheres a fazerem a limpeza correta da vagina evitando infecções. Em adição, o Estado deve criar leis que obrigue a distribuição gratuita de absorventes e coletores menstruais em unidades de saúde e escolas.