Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 15/11/2021

A organização na Idade Média baseava-se numa rígida estratificação social fundada no princípio do privilégio, que afastava milhares de pessoas dos bens que só a nobreza podia ter. Semelhante a essa época, no contexto atual brasileiro, o acesso a higiene se restringe a parte da população, já que inúmeras meninas não possuem acesso a itens básicos como absorventes. Nesse sentido, pode-se afirmar que a negligência governamental e a escassa abordagem do problema agravam essa situação.

É relevante abordar que assim como é retratado na obra “Uma Teoria da Justiça”, do filósofo político John Ralws, um governo íntegro busca disponibilizar recursos financeiros a todos os setores públicos, visando promover uma igualdade de oportunidades a qualquer cidadão. Todavia, a pobreza menstrual no Brasil é contra a idealização do filósofo, uma vez que milhares de meninas são privadas do acesso à absorventes, que proporciona bem-estar, segurança e conforto. Dessa maneira,  é lícito afirmar que essa carência é determinadora para o aumento de desigualdade de gênero, pois diversas mulheres abandonam atividades cotidianas, como o ingressar nas escolas e ambientes de trabalho.

Por conseguinte, é pertinente ressaltar que a insuficiente exposição dessa problemática contribui para que a obtenção desse bem seja apenas pela parte elitista do país. Na obra “Chatô- o rei do Brasil”, de Fernando Moraes evidencia a importância da mídia na construção social, nessa perspectiva, geralmente, a mídia negligencia o debate acerca da ausência de absorventes nos lares menos abastados, que faz  a carência do acesso básico não ser denunciada. Dessa forma, a pouca abordagem midiática com relação ao caráter restritivo do acesso aos bens essenciais é uma das decisivas para o agravamento da problemática.

Portanto, fica claro que a pobreza menstrual no país precisa ser solucionada. Cabe à iniciativa governamental, em parceria com as empresas privadas, promover o acesso à absorventes por toda população feminina. Isso pode ocorrer, por exemplo, com investimentos no âmbito da saúde que irão promover a distribuição do produto, a fim de oportunizar igualdade de possibilidades. Ademais, a mídia deve elaborar reportagens de denúncia, as quais exibam a carência dessa condição de higiene. Desse modo, a estratificação social medieval não será uma realidade atual brasileira.