Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 16/11/2021
Na antiguidade, o anatomista Galeno de Pérgamo acreditava que a menstruação era um sangramento involuntário do corpo de homens e mulheres. Desde então, diversas teorias e visões foram criadas sobre o assunto. No entanto, infelizmente, em países como Brasil, as condições de higiene ao menstruar continuam precárias para milhares de mulheres. O estigma, a desigualdade social e a falta de políticas públicas são alguns dos fatores quem impedem a resolução dessa triste situação.
Nesse sentido, o preconceito em relação ao ciclo menstrual ainda é uma realidade no Brasil. Afinal, o assunto permanece como um segredo até mesmo entre as mulheres, que muitas vezes acreditam numa falsa relação entre a sujeira e o sangue menstrual. De acordo com uma pesquisa da marca Sempre Livre, 57% das mulheres sentem-se sujas durante esse período. Logo, a estigmatização da menstruação atrapalha a discussão dessa temática, pois estimula ideias equivocadas e negativas sobre algo que deveria ser debatido por toda a sociedade.
Ainda, outro impasse para lidar com essa questão é a disparidade social brasileira e o descaso do poder público. Como aponta um levantamento da Unicef, 900 mil meninas não possuem água canalizada e 713 mil delas não têm banheiro ou chuveiro. É evidente que essa realidade desigual impede que inúmeras estudantes frequentem a escola e tenham condições igualitárias. Na contramão dos fatos, o Governo Federal não se compromete com a questão. Isso ficou claro após o veto da distribuição de absorventes para alunas pobres e pessoas em situação de rua.
Portanto, o combate à pobreza menstual não ocorre devido ao estigma ao redor da menstruação, as diferenças na sociedade e escassez de medidas públicas. Por isso, o Ministério de Direitos Humanos deve implementar a legislação que regulamenta o Programa de Proteção da Saúde Menstrual. Essa medida deverá priorizar a promoção de informação sobre o tema, além de oferecer absorventes para as mulheres em situações vulneráveis. Dessa forma, o Brasil enfrentará essa grave questão.