Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 15/11/2021

Na Antiguidade Oriental, a menstruação era tradada como um processo ruim de liberação de toxinas e a mulher era afastada do convívio social nesse período, posteriormente, no Egito Antigo, passou-se a utilizar canudos feitos de papiro e tecido para reter o sangramento, até o desenvolvimento do absorvente de polietileno. Na contemporaneidade, a menstruação não é mais um problema, contudo, o baixo poder aquisitivo e a falta de conhecimento básico de saúde por parte do corpo social aumentam os desafios no combate a pobreza menstrual no Brasil.

Nesse sentido, o maior entrave são os altos preços, o que impede a população de menor renda acessar itens básicos, como absorventes que estão na classificação de cosméticos recebendo altas taxas de impostos. Outrossim, tal situação se relaciona ao contexto social defendido pelo sociólogo Émile Durkheim, de que a sociedade determina as ações do indivíduo. Um exemplo disso é o valor cobrado pelos produto relacionados a higiene menstrual e a realidade econômica da população brasileira, que tem que escolher entre comprar alimento ou produtos de higiene, tornando o absorvente um produto de luxo entre as classes carentes, que segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PenSE), de 2020, 28% das escolares do nono ano nunca tiveram acesso à absorventes, fazendo uso de toalhas e papel como alternativa, ficando expostas a contaminação e infecções devido a não assepsia desses materiais.

Ademais, a falta de conhecimento básico de saúde por parte do corpo social dificulta a conscientização. Conforme José Saramago, a sociedade vive um fenômeno de cegueira moral, que consiste em ser indiferente diante de um problema social. Consoante com o pensamento do escritor português, enquanto o Ministério da Saúde não informar sobre a importância do acesso a produtos relacionados à saúde íntima da mulher para toda população, parte das mulheres continuarão utilizando jornal, pano e miolo de pão para conter o fluxo sanguíneo, podendo desenvolver infecções urinárias e vaginas, além de perpetuar o ciclo da pobreza, visto que essas mulheres deixam de frequentar a escola durante a menstruação, o que acentua a desigualdade social, sendo um dos motivos da evasão escolar.

Destarte, para acabar com a pobreza menstrual, é necessário que os Ministérios da Saúde e Educação, em parceria com empresas privadas, promovam nas escolas cursos de confecção de calcinhas absorventes e coletores menstruais, por meio de oficinas especializadas, no horário noturno livre para a maioria, que sejam distribuídos gratuitamente para pessoas carentes. Em adição, o Estado deve divulgar campanhas que ensine os cuidados durante a menstruação, evitando infecções.