Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 16/11/2021
“A mulher é violentada toda vez que algo lhe é imposto. É violada em sua individualidade e sua dignidade uma vez que perde o poder de decisão sobre seu corpo.”. Através desses dizeres de Mary Scabora, psicóloga clínica, a questão dos desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil é apresentada, pois essas dificuldades enfrentadas pelas mulheres são mais um exemplo da falta de liberdade delas para lidarem até com a própria higiene. Logo, essa problemática motra-se muito preocupante, pois é mais um contribuinte para a permanência das desigualdades entre os sexos. Ademais, é preciso salientar o papel fundamental do Estado para ocorrência da problemática. Assim, uma mudança nesse quadro é substancial.
Em primeiro plano, evidencia-se a grave e principal consequência da problemática: a permanência das desigualdades entre os sexos. “O conhecimento é em si mesmo um poder”, frase dita por Francis Bacon, filósofo inglês, demonstra a importância que o saber é para o indivíduo, nesse viés percebe-se a gravidade da pobreza menstrual para a população feminina, pois essa problemática dificulta e desincentiva a escolaridade para elas, visto que essa mulheres evitam ir, no período menstrual, ou até deixam de frequentar as escolas por razão do medo de serem constragidas pelos colegas. Essa situação é preocupante, já que a falta de escolaridade afetará, em muitos casos, nas suas futuras carreiras profissionais, favorecendo a triste e existente desigualdade entre gêneros.
Outrossim, é imperativo pontuar o papel fundamental do Estado para a ocorrência dessa problemática. Isso decorre do fato que o governo não oferece apoio para as mulheres que possuem baixa renda, visto que não oferece a distribuição gratuíta de absorventes ou coletores menstruais, dessa forma, essas cidadãs são obrigadas a lidar com essa situação de maneira improvisada e de formas não muito adequadas, essa situação pode ser percebida pelo relato da jovem Yasmin Emiliano paro o jornal Correio Braziliense, “Não uso mais absorventes. Para comprar, era muito difícil. Então, quando fui buscar métodos para não engravidar, aproveitei para não menstruar’'.
Diante do exposto, portanto, é necessária uma intervenção estatal através de medidas que busquem oferecer auxílio as mulheres de baixa renda quanto aos cuidados menstruais, por meio da distribuição de coletores menstruais, já que esses coletores oferecem a opção de reutilização, logo, uma vantagem se comparado com os absorventes normais, além disso, o governo deve promover palestras nas escolas para a orientação sobre o que é a menstruação, para que assim, casos de brincadeiras infantis quanto a esse tema sejam evitadas. Dessa forma, após a adoção dessas medidas, com a solução da problemática, as mulheres teram o merecido direito do poder de decisão sobre seu corpo.