Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 20/11/2021

São Tomás de Aquino defendeu que todas as pessoas precisam ser tratadas com a mesma importância. Porém, a questão da pobreza menstrual contraria o ponto de vista do filósofo, uma vez que, no Brasil, muitas mulheres enfrentam esse desafio durante seu período menstrual. Diante dessa perspectiva,  percebe-se a consolidação de um grave problema, em virtude da falta de políticas públicas e a estigmação da menstruação.

Convém ressaltar, a príncipio, que a ausência de políticas públicas é um fator determinante para a persistência do problema. De acordo com uma pesquisa feita pela Sempre Live, marca de cuidados íntimos da Johnson & Johnson Consumer Health, cerca de 26% de meninas entre 15 a 17 anos não tem acesso aos produtos básicos de higiene menstrual. Isso se manifesta devido ao custo elevado de um produto que é tributado como ´´artigo de luxo´´, ou seja, pessoas que menstruam e que vivem em situação de pobreza não possuem condições de incluir o absorvente como item básico,  o que dificulta a resolução do problema.

Além disso, o estigma da menstruação na sociedade é um forte empecilho para a resolução do problema. Nesse sentido, o filósofo Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Isso justifica outra causa do problema: se as pessoas não têm acesso à informação séria sobre menstruação, sua visão será limitada e errônea.

Torna-se imperativo, então, desenvolver medidas que ajam sobre o problema. Para que isso ocorra, o MEC juntamente com a Secretária de Assistência Social devem desenvolver palestras em escolas, por meio de entrevistas com mulheres que passaram por dificuldades durante seu período menstrual por conta da falta de absorventes, falta de produtos de higiene básica ou falta de saneamento básico, com o objetivo de trazer mais lucidez sobre o tema e erradicar esse desafio. Ademais, cabe ao Poder Público e a Secretária de Saúde, fazer a distribuição de absorventes nas redes públicas de saúde, a fim de garantir que pessoas sem condição financeira tenha acesso e não sejam afetadas. A partir dessas ações, espera-se promover uma melhora no que tange à questão da pobreza menstrual no Brasil.