Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 16/11/2021
No documentário “Absorvendo o tabu”, indicado a cerimônia do Oscar em 2020, é retratado os desafios que a pobreza menstrual proporciona à meninas e mulheres indianas que vivem em bairros com grande miséria e, como esta comunidade consegue se reerguer para enfrentar o problema. No contexto nacional atual, indivíduos com ciclos menstruais ativos e pobreza extrema sofrem exponencialmente com a falta de produtos de higiene e saneamento básico. Isso ocorre, pois falta uma conscientização deste tópico e, também, existe uma carência de recursos para combater a pobreza menstrual no Brasil.
Nessa perspectiva, acerca da lógica referente à pobreza menstrual, é válido retomar o aspecto supracitado quanto à omissão estatal neste caso. Segundo o UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância), o Brasil é o país que apresenta mais de 4 milhões de meninas que não possuem acesso a itens básicos de higiene menstrual e, mesmo diante desse cenário alarmante, mais de 700 mil destas meninas vivem sem banheiro ou chuveiro em suas casas. Isso acontece pela falta de investimento público na distribuição de produtos de higiene em locais com pouco ou nenhum saneamento básico. Consequentemente, muitas meninas e mulheres, sobretudo aquelas que não têm acesso a água canalizada em seus domicílios, não recebem devidamente um auxílios dos órgãos públicos, contribuindo para sua progressiva marginalização perante o corpo social.
Paralelamente ao descaso das esferas governamentais nessa questão, é fundamental o debate acerca do apoio que as escolas públicas oferecem para as meninas com pobreza menstrual, uma vez que este é um ambiente frequentado quase todos os dias por elas e que não proporciona soluções de curto e/ou longo prazo para a problemática. Este quadro de inoperância das esferas de poder exemplifica a teoria das Instituições Zumbis, do sociólogo Zygmunt Bauman, que as descreve como presentes na sociedade, mas que não cumprem seu papel com eficácia. Desse modo, é imprescindível que para a refutação da teoria do estudioso polonês, este problema seja revertido.
Urge, portanto, que o Ministério da Saúde coopere para mitigar a pobreza menstrual no Brasil. Cabe aos cidadãos repudiar a falta dos recursos de higiene menstrual e de saneamento básico, por meio de campanhas de conscientização deste assunto capazes de desconstruir a prevalência da miséria menstrual neste país. Ao Ministério Público, por sua vez, compete promover a distribuição dos itens de higiene menstrual e conscientizar as meninas e mulheres, que sofrem desta causa, sobre os ciclos menstruais e a higiene correta. Assim, observada a ação conjunta entre população e poder público, poderá erradicar a pobreza menstrual no Brasil.