Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 16/11/2021
Em consonância com o sociólogo francês Émile Durkheim, a sociedade funciona como um corpo biológico que, para ser igualitário e coeso, depende das partes que o compõem. Sendo assim, com a visível problemática no combate à pobreza menstrual no Brasil, vê-se falhas funcionamento. Nesse sentido, faz-se necessário analisar e identificar as causas em questão, dentre a falta de debate sobre o assunto e a insuficiência legislativa.
Em primeiro plano, é evidente que o silenciamento sobre o assunto é um impasse para o problema. Segundo Habermas, ilústre pensador, a linguagem é uma verdadeira forma de ação, ou seja, quando há obstáculos é imprenscidível falar sobre eles para que uma mudança aconteça. No entanto, não é a realidade encontrada entre as jovens brasileiras que, diante de tanta pobreza menstrual utilizam jornais e panos no lugar do absorvente, de acordo com a matéria publicada pelo Senado. Sob essa perspectiva, fica nítida a falta de cuidado e informação dos orgãos de poder com essa parcela da população, pois mesmo diante do desenvolvimento ainda é um tabu falar sobre a menstruação e suas dificuldades na vida das mulheres, perpetuando o triste cenário.
Ademais, as lacunas na legislação são também fortes contribuintes para a persistência do problema. De acordo com Jonh Locke, filósofo contratualista, as leis fizeram-se para os homens e não para as leis, logo, uma lei ao ser criada, deve ter como objetivo garantir o direito de cada cidadão. Entretanto, fora da Constituição o panorama encontrado se opõe ao proposto. Prova disso, são os números levantados pelo Unicef, o qual revela que mais de 700 mil meninas vivem sem banheiro ou chuveiros em suas residências. Desse modo, fica claro uma situação de precaridade e injustiça para as mulheres, tendo em vista que os Direitos Humanos garantem o direito de acesso à higiene, e como visto não está sendo efetivado, dificultando então um período menstrual digno e higiênico para as brasileiras.
Mediante os fatos, é preciso, portanto, que o Poder Judiciário seja mais rigoroso com o Poder Executivo, por meio de maior fiscalização do seu trabalho, com o objetivo de fazer os Três Poderes funcionarem em conjunto, sem que haja a necessidade de novas leis , tornando as existêntes eficazes e justas. Além do Ministério da Economia, órgão responsável por toda a economia do país, promover as mulheres de renda baixa um auxílio mensal, para comprar os itens necessários, por meio de uma destruição de renda correta, com o intuito de garantir conforto e higiene durante o período menstrual. Acredita que dessa forma, será possível amenizar os desafios do combate a pobreza menstrual no país e manter o “corpo biológico” em perfeito funcionamento.