Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 19/11/2021

Na obra “Utopia”, do escritor Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, caracterizada pela ausência de conflitos e problemas. Entretanto, o que se observa na realidade brasileira é o oposto ao descrito pelo autor, haja vista que a pobreza menstrual - condição de ausência dos itens de higiene necessários durante a menstruação - atinge muitas mulheres no país. Esse cenário problemático, infelizmente, encontra desafios para ser superado na nação, ora pela negligência governamental, ora pelo silenciamento midiático sobre o tema. Assim,é imprescindível debater e resolver o óbice. Sob esse viés, é preciso compreender que a baixa atuação governamental no que tange à escassez de recursos durante o período menstrual colabora para que essa seja uma realidade no Brasil. Com efeito, segundo o Art 196º da Constituição Federal de 1988, a saúde é um direito de todos e dever do Estado. Todavia, a falta de políticas públicas que promovam a disponibilização de absorventes e itens básicos de higiene às mulheres deixa claro o quão o poder público é negligente ao seu papel. Isso porque, sem a interferência do Governo, muitas meninas são obrigadas a utilizar outros itens, como folhas, papel higiênico e panos, no lugar dos tampões, e, por conseguinte, elas ficam mais vulneráveis a adiquirirem infecções em suas genitálias, o que afeta seu bem-estar físico e mental. Com isso, fica vísivel que cabe aos governantes se mobilizarem para resolver o problema. Ademais, o silenciamento dos meios midiáticos sobre o tema contribui para que ele perdure na nação. Tal situação se dá porque, segundo o jornalista Caco Barcellos, a culpa de determinado problema social está ocorrendo não é daquele que desconhece sobre a situação e, sim, de quem não informa. Logo, se os meios de comunicação não alertam a população sobre a pobreza menstrual que algumas mulheres estão submetidas, não se pode cobrar a mobilizaçãdo corpo social em prol da causa. Isto é, para que doações de itens de higiene sejam feitas e a população pressione o Governo para disponibilizar absorventes às meninas em condição de vulnerabilidade social, por exemplo, é preciso falar acerca disso. Sendo assim, enquanto os brasileiros não forem conscientizados sobre essa realidade de escassez que algumas moças sofrem, ela continuará existindo no país. Portanto, fica claro que o descaso governamental e a postura passiva da mídia são consolidadores da da pobreza menstrual no Brasil. Dessa forma, a fim de reverter essa realidade, o Governo Federal, por meio de um Decreto Federativo, deve estabelecer um Plano Nacional de Promoção à Higiene com intuito que itens de limpeza pessoal, incluindo absorventes, sejam asseguradas às pessoas que não possuem condição de comprá-los. Destarte, esse Plano deve disponibilizar verbas para que a distribuição de tampões seja feita em todos os postos de saúde do território nacional e com o intuito de que sejam realizadas campanhas de conscientização que incentivem a doação de produtos higiênicos. Somente assim, a cidadania caminhará para “Utopia” de More.