Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 17/11/2021
Referência no mundo inteiro, o Sistema Único de Saúde (SUS), é pioneiro na distribuição gratuita de bens essenciais à saúde, tal qual medicamentos e preservativos. Entretanto, em uma sociedade que apresenta mais de 50% de sua população formada por mulheres, ainda faltam ações de combate à pobreza menstrual. Seja devido aos estigmas associados à menstruação, seja pela falta de acesso gratuito aos absorventes, a atual crise menstrual é um processo de saúde pública e, portanto, o Estado deve criar politícas públicas para a alteração desse cenário.
Em primeiro lugar, a desinformação e o compartilhamento de preconceitos são precessores do estigma relacionado à menstruação. Sendo que diversas garotas e mulheres desconhecem seus corpos ou apresentam vergonha por um evento natural, gerando um sentimento de inadequação ou medo. Tal situação é representada no minidocumentário “Absorvendo o Tabu”, que mostra o preconceito existente em torno da menstruação e os impactos que o procedem.
Em segundo lugar, em um país no qual, segundo o IBGE, quase 15% da população se encontra desempregada, a falta de recursos financeiros para a obtenção de absorventes é um problema em ampliação. A carência de objetos para a higiene durante o período menstrual é um fator que gera consequências nas mais diversas áreas da vida feminina, onde uma a cada quatro meninas deixam de participar do ambiente escolar durante a menstruação por falta de recursos, exposto pela revista Exame.
Devido a tais fatores, é de urgência a criação de dispositivos públicos que permitam a implementação de atividades educativas sobre a menstruação e o acesso gratuito aos absorventes. Para isso, o Ministério da Educação deve promover a discussão sobre o ciclo menstrual nas escolas da rede pública, visando a educação da população e a quebra de preconceitos. Além disso, o Ministério da Saúde deve realizar a distribuição gratuita de absorventes em postos de saúde por meio do SUS. Dessa maneira, estaremos gerando um país mais humanitário e justo.