Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 18/11/2021

Na obra “O Cidadão de Papel”, o jornalista Gilberto Dimenstein critica o sistema de leis do Brasil, o qual possui uma boa elaboração, porém carece de efetividade na prática. Sob esse viés, a crítica da obra sobredita se aplica no contexto nacional quanto à questão da pobreza menstrual no Brasil, pois é uma questão a ser solucionada. Logo, são necessárias medidas para solucionar o impasse, que é motivado pela apatia estatal e pela omissão dos grandes veículos de mídia.

Em primeiro lugar, constata-se o desserviço estatal como uma das causas da carência menstrual no Brasil. Nesse contexto, o filósofo Bauman criou a expressão “Instituições Zumbis”, que se refere a Instituições que estão perdendo a sua função social. Nessa ótica, tal teoria é constatada no contexto brasileiro, já que o Estado não parece tratar a falta de acesso de absorventes como um problema, que acarreta em um número significativo de mulheres em situações precárias de higiene, sujeitas a doenças. Assim, devido à omissão governamental, a problemática é agravada.

Ademais, a carência de discussões acerca da pobreza menstrual é um dos motivadores desse impasse. Nesse sentido, segundo o sociólogo Karl Marx, em sua teoria do “Silenciamento dos Discursos”, alguns temas são omitidos a fim de se ocultar as mazelas sociais. Sob essa perspectiva, na sociedade contemporânea, a visão do autor pode ser aplicada quanto ao combate da pobreza menstrual, porquanto o assunto é pouco debatido no âmbito midiático, o que acarreta a manutenção do problema no país, agravando e marginalizando, ainda mais, mulheres pobres.

Depreende-se, portanto, a necessidade de combater esse obstáculo. Para isso, é necessário que o Governo Federal, por meio do Ministério da Saúde, distribua absorventes de forma gratuita em Unidades de Saúde Básica e em Instituições públicas de ensino para garantir o acesso de mulheres a esse direito. Além disso, é necessário que a mídia, por meio das redes sociais, fomente o debate sobre a situação de mulheres em pobreza menstrual. Assim, a realidade se distoará da obra de Dimenstein.