Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 18/11/2021
O quadro expressionista “O Grito” do pintor norueguês Edvard Munch retrata a inquietude, o medo e a desesperança refletidas no semblante de um personagem envolto por uma atmosfera de profunda desolação. Para além da obra, observa-se que, na conjuntura brasileira contemporânea, o sentimento de milhares de indivíduos assolados pelo impacto da pobreza menstrual no Brasil é semelhante ao ilustrado pelo artista. Nesse viés, torna-se crucial analisar as causas desse revés, dentre as quais se destacam a negligência governamental e a evasão escolar durante o período menstrual.
A princípio, é imperioso notar que a indiligência do Estado potencializa a carência menstrual na sociedade verde-amarela. Esse contexto de inoperância das esferas de poder exemplifica a teoria das Instituições Zumbis, do sociólogo Zygmunt bauman, que as descreve como presente na sociedade, todavia sem cumprir sua função social com eficácia. Sob essa ótica, devido à Baixa atuação das autoridades, uma em cada quatro mulheres não têm acesso absorvente durante o seu fluxo. Nessa perspectiva, para a completa refutação da teoria do estudioso polonês a mudança dessa realidade faz-se imprescindível uma intervenção estatal.
Outrossim, é igualmente preciso aprontar a evasão escolar durante a menarca como outro fator que contribui para a manutenção da indiferença ao abandono escolar no decorrer do seu primeiro ciclo menstrual. Posto isso, de acordo com a UNFPA e a UNICEF, mostra que mais de 4 milhões de meninas deixam de frequentar a escola devido à falta de recursos básicos de higiene. Diante de tal exposto, o abandono escolar é um problema que afeta socioeconomicamente o país, impulsionando a taxa de analfabetismo e ampliando a desigualdade na população. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
Portanto, são necessárias medidas capazes de mitigar a pobreza menstrual. Dessarte, urge dos órgãos governamentais ao lado da ONU oferecer cestas básicas que contenham itens de higiene menstrual por meio de propaganda programas sociais e atendimento às pessoas em vulnerabilidade, a fim de que as mulheres possam ser atendidas em seus períodos menstruais. Assim será possível combater a carência menstrual.