Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 19/11/2021

Papel higiênico, resto de jornais, pedaços de plástico, miolo de pão e papelão, são opções que restam para quem não tem acesso a itens básicos durante o período menstrual. Dessa forma, a pobreza menstrual se tornou um grave problema que precisa ser combatido no Brasil, afetando a ida para a escola, bem como a passagem dos dias nos presídios e outros tantos desafios. Assim, as pessoas de camadas sociais mais baixas, como também as em situação de vulnerabilidade social, não têm acesso a absorventes e remédios para poder passar por esse período natural do corpo que ainda é tratado como tabu.

Nesse cenário, sendo natureza do corpo feminino, a menstruação se enquadra na área de saúde pública do povo brasileiro, aspecto que é garantido pela Constituição Federal, como dever do Estado. Contudo, ainda não é visto assim, pois os produtos de higiene ainda são tratados como bens de luxo, o que, segundo relatório elaborado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infancia (UNICEF), deixa 4 milhões de meninas sem acesso a itens mínimos de cuidados menstruais nas instituições escolares. Sendo assim, 1 em 4 jovens afirmam que faltaram às aulas por não poder comprar absorventes, agravando o problema de evasão escolar, já muito presente no Brasil.

Em adição, além de dificultar a ida das mulheres a seus trabalhos, o problema afeta as mulheres sem-teto que não têm acesso nem a água, muito menos aos absorventes, dessa forma buscam jornais e miolo de pão que conseguem do lixo. Também, outro grupo muito prejudicado por essa falta de acesso e produtos de má qualidade são as presidiárias, que ao buscar maneiras de complementar o precário kit de higiene das prisões, que fornece uma mínima quantidade de absorventes finos e com forte cheiro, tem como resultado diversas infecções ginecológicas, como abordado no livro “Presos que menstruam.

Em suma, a pobreza menstrual é um problema grave que vem afetando grande parte da camada mais pobre da população. Para combatê-la, é imprescindível que o Governo, por meio do Senado Federal, aprove o projeto de lei da Deputada Federal Tábata Amaral, que conta com a distribuição de absorventes em espaços públicos, para que seja garantida a disposição no Sistema Único de Saúde (SUS), nas escolas e nas prisões esses produtos de higiene. É preciso, também, que o Ministério da Saúde implemente rodas de conversa e palestras com especialistas e médicos na comunidade para informações sobre o periodo menstrual para que as pessoas possam passar por esse período da melhor maneira possível.