Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 05/01/2022
Em seu livro “Cidadãos de papel”, Gilberto Dilmenstein apresenta o conceito de indivíduos que apesar de possuirem direitos constitucionais, não os tem assegurados na prática. Na realidade brasileira, são encontrados desafios no combate a pobreza menstrual, por conta da falta de políticas públicas efetivas e o tabu associado a menstruação, a persistência desse problema configura um desvio dos direitos humanos associados à Constituição Cidadã, logo, são necessárias ações para sanar o impasse.
Primordialmente, deve se pontuar que a inoperância governamental quanto a falta de acesso a informações e itens de higiene para mulheres de classes mais baixas é um agravante do problema. Nesse aspecto, em dados coletados pela ONU, uma em cada quatro meninas no Brasil não possuem absorventes durante seu período menstrual, e a garantia da dignidade durante a menstruação deveria ser englobada como uma questão de saúde pública. Assim, é possível concluir que o combate a questão é de responsabilidade estatal.
Em segunda instância, cabe analisar os danos causados pelos estigmas relacionados ao período menstrual. Nesse viés, é possível destacar a perspectiva da filósofa Simone de Beauvoir. De acordo com sua análise, mais escandalosa que a existência de uma problemática é o fato de a sociedade se habituar a ela. Ao traçar um paralelo com a temática, podemos observar um preconceito, e consequente apagamento, referente ao sofrimento de milhares de mulheres quanto a pobreza menstrual. Dessa maneira, torna-se uma realidade uma resistência à busca de ajuda por conta da vergonha associada.
Torna-se evidente, portanto, que são necessárias medidas para apaziguar a questão. Destarte, cabe ao Poder Legislativo, por meio da elaboração de leis e recursos liberados pela União, sancionar a distribuição gratuita de absorventes em ambientes escolares e postos de saúde, a fim de levar condições dignas de higiene a toda população. Ademais, o Ministério da Educação, a partir da alteração da Base Nacional Comum Curricular, deve promover palestras mensais com o afã de discutir informações relevantes e tópicos referentes a menstruação. Desse modo, espera-se que a sociedade idealizada por Gilberto Dilmenstein se afaste da realidade brasileira.