Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 17/01/2022
Milton Nascimento, em um trecho de uma de suas mais famosas canções afirma, ‘‘quem traz no corpo a marca, Maria, Maria, mistura a dor e a alegria’’. O trecho citado exprime a força que é ser uma mulher numa sociedade patriarcal. Nesse contexto, muitas mulheres possuem seus direitos de saúde e higiene básica privados em função da precariedade e vulnerabilidade em que se encontram. Logo, torna-se imperativo o debate acerca da pobreza menstrual em questão no Brasil.
Durante a Revolução Francesa um dos maiores obstáculos enfrentados foi a disseminação descontrolada de vírus e doenças em decorrência da falta de saneamento básico. Em concessão com a realidade brasileira, a falta de infraestrutura sanitária somada a inacessibilidade aos produtos de higiene femininos, abre espaço para graves crises de saúde pública. Dessa forma, evidencia-se que a pobreza menstrual é uma questão também de infraestrutura e vulnerabilidade social e deve ser encarada como tal.
Ademais, problemáticas como a disparidade ecônomica e precariedade habitacional tangem a pobreza menstrual. Nesse sentido, num país onde, segundo o IBGE, existem 19 milhões de indivíduos em situação de fome, pensar em produtos de higiene pode parecer um contexto utopico. Logo, entende-se que a pobreza menstrual é consequência de um conjunto de circustâncias que oprimem e privam a dignidade de muitas mulheres.
Portanto, entende-se, diante do exposto, a real necessidade de ações governamentais que garantam a saúde e o acesso a higiene básica . Para tanto, o Ministério da Saúde, órgão responsável pelas questões sanitárias no Brasil, deve promover políticas públicas de distribuição gratuita de produtos como, absroventes, coletores mentruais, calcinhas, e lenços umedecidos, afim de democratizar o acesso a esses artifícios. Posto isso, espera-se promover uma melhora no corpo social no que tange a pobreza menstrual no Brasil.