Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 29/01/2022
O quadro expressionista “O grito”, do pintor norueguês Edvard Munch, retrata a inquietude, o medo e a desesperança refletidos no semblante de um personagem envolto por uma atmosfera de profunda desolação. Para além da obra, observa-se que, na conjuntura brasileira contemporânea, o sentimento de milhares de indivíduos assolados pela pobreza menstrual é, amiudadamente, semelhante ao ilustrado pelo artista. Nesse viés, torna-se crucial analisar as causas desse revés, dentre as quais se destacam a negligência governamental e a falta de acesso á informação por parte da população.
A princípio, é imperioso notar que a indiligência do Estado potencializa às condições de precariedade menstrual. Esse contexto de inoperância das esferas de poder exemplifica a teoria das Instituições Zumbis, do sociólogo Zygmunt Bauman, que as descreve como presentes na sociedade, todavia, sem cumprirem sua função social com eficácia. Sob essa ótica, devido à baixa atuação das autoridades, a pobreza menstrual afeta a autoestima e entrega uma sensação de irrelevância perante ao Estado; posto que milhares de mulheres não possuem condições financeiras para acesso à itens básicos de higiene durante o ciclo menstrual como: sabonete, absorventes e até mesmo água canalizada. Nessa perspectiva, para a completa refutação da teoria do estudioso polonês e mudança dessa realidade, faz-se imprescindível uma intervenção estatal.
Outrossim, é igualmente preciso apontar a falta de informação da população como outro fator que contribui para a manutenção da pobreza menstrual. Posto isso, um relatório elaborado pelo Fundos da Nações Unidas para a Infância, mostra que mais de 4 milhões de meninas frequentam escolas com privação de itens básicos e indispensáveis; efetuando evasão escolar durante o período menstrual. Diante do exposto, o desconhecimento acerca de leis que as protegem, faz com que, o ciclo menstrual de inúmeras mulheres e meninas se torne um período conturbado e doloroso psicologicamente.
Portanto, são necessárias medidas capazes de mitigar a pobreza menstrual. Dessarte, a fim de proporcionar melhores condições de higiene, é preciso que o Ministério da Justiça e Segurança Pública; sancione leis para a distribuição de itens de higiene menstrual gratuitamente no Sistema Único de Saúde e escolas. Paralelamente, é imperativo que o Ministério da Educação, em parecerias com centros comunitários de ajuda á população carente, elaborem campanhas físicas, com foco em lugares estratégicos nas comunidades necessitadas, com o intuito de conscientizar sobre a menstruação e desconstruir os tabus levantados acerca do assunto. Espera-se, assim, que os sofrimentos emocionais retratados por Munch delimitem-se apenas ao plano artístico.