Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 06/02/2022
No livro infanto-juvenil, de literatura nacional, intitulado “Fala sério, mãe!” da autora Thalita Rebouças, é descrita a primeira mestruação da personagem principal, a Malu. Durante a narração os leitores compartilham as novas sensações com a garota, tendo assim, conciência de que para poder passar por esse ciclo mensal se é necessário o uso de itens de higiene básica, como por exemplo, o absorvente.
Sendo assim, o que pode ser feito quando não há meios para a compra de absorventes? Essa é a realidade de pelo menos 28% de adolecentes que já deixaram de ir à escola por não terem condições de compra, segundo pesquisas realizadas pela Toluna.
É notório, que a pobeza menstrual é um grande empecilho para o desenvolvimento como cidadã de qualquer pessoa que mestrue, pois não permite que tarefas do dia-a-dia sejam feitas normalmente, como simplesmente ir ao supermercado.
Dessa forma, meninas ao redor do Brasil precisam encontrar formas de substituir os itens que auxiliam durante esses dias. Os principais substitutos são o papel higiênico, retalhos de panos velhos, jornais e até miolo de pão. Todos os materiais citados anteriormente causam danos a saúde, podendo causar até mesmo infecções.
Com tudo, esses obstáculos estão longe de serem superados. A maioria dos alto cargos do governo são ocupados por homens, que nunca passaram pela situação de estar mestruada. Sendo assim, não compreendem como o ciclo mestrual funciona e nem os itens que devem ser utilizados para a higiene. Isso dificulta a aprovação de leis que permitam o acesso gratuito de absorventes ou quaquer outro item essencial para a higiene pessoal.
Ainda assim, somente esse ano se tornou lei (4968/19) idealizada pela deputada Marília Arraes, a distribuição de absorventes em escolas, para mulheres em situação de vulnerabilidade e detidas. Garantindo maior dignidade e autoconfiança para todos que mestruam.
Infelizmente, o tema ainda é um grande tabu na sociedade atual, não sendo muitas vezes nem comentado. Um dos meios de diminuir a pobreza menstrual é o ensino sexual em escolas de nível básico. Para que assim, se tenha mais coragem para buscar por ajuda e não ser ridicularizada por colegas de classe que não possuem o conhecimento de que é um processo natural do corpo feminino. A lei já aprovada deve entrar em vigor, possibilitando assim auxílio para milhares de necessitados nesse país. Já a população precisa cobrar seus líderes e fiscalizar para se certificar q as leis estejam sendo cumpridas.