Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 08/06/2022
Na Grécia Antiga, a menstruação foi marcada tanto por um olhar que a colocava como algo sagrado, quanto uma perspectiva de bruxaria e marginalização. Nesse sentido, no século XXI, no Brasil, os desafios no combate a pobreza menstrual são visíveis, os quais ocorrem, evidentemente, devido à falta de investimentos governamentais, assim como o preconceito enraizado na sociedade.
Preliminarmente, é pertinente elencar que a negligência do Estado é um fomentador dessa problemática. Desse modo, conforme o jornal Folha de São Paulo, o presidente Bolsonaro vetou o projeto de lei que propunha a distribuição gratuita de absorventes. Em vista disso, é imperioso destacar o conceito de “Cidadania mutilada”, postulado por Milton Santos, ao observar que o básico não é fornecido a uma parcela da população, que se vê aos pedaços, marcada por uma sensação de vida indigna. Portanto, irrefutavelmente, é notório a omissão das autoridades com as necessidades básicas da maioria da população brasileira.
Outrossim, é fundamental analisar que o tabu acerca da menstruação prejudica o combate a esse problema. Dessarte, a escritora Simone de Beauvoir, em sua obra “Segundo sexo”, defende que “Não se nasce mulher, torna-se mulher”, assim sendo comprova-se que essa construção é impedida, ao passo que nem o próprio sangue é naturalizado. Sob esse ponto de vista, consoante o portal de notícias G1, a menstruação é assunto raro entre jovens, consequente da escassez de informações. Logo, indubitavelmente, faz-se mister a reformulação dessa postura patriarcal de forma urgente para garantir os direitos da comunidade feminina.
Em vista dos fatos elencados, são necessárias medidas para combater a pobreza menstrual. Destarte, o Ministério da Saúde deve implementar programas sociais que ofereçam produtos de higiene pessoal, como coletores menstruais e absorventes, através de visitas de agentes de saúde nas comunidades, com a finalidade de anular o conceito “Cidadania mutilada”. Ademais, cabe ao Ministério da Educação criar projetos, como debates e palestras em institutos públicos e privados, por meio de profissionais capacitados e participação de mulheres, com o objetivo de normalizar a menstruação. Dessa forma, não sucederá novamente o ocorrido na Grécia Antiga.