Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 12/02/2022
Para o sociólogo francês Émile Durkheim, a sociedade é organizada como um or-
ganismo vivo, de tal forma que as estruturas sociais funcionam de maneira interde-
pendente entre si, ao passo que a falha em algum setor resulta em um estado de anomia. Nesse sentido, percebe-se que os desafios enfrentados no combate à po-
breza menstrual, no Brasil, podem ser associados a essa lógica teórica, uma vez que são decorrentes de erros institucionais, os quais favorecem o surgimento de diversas mazelas sociais à população mais vulnerável. Essa situação é mantida devi- do não só a fatores socioeconômicos, mas também à negligência estatal em tratar da questão.
Nesse contexto, vale ressaltar os aspectos socioeconômicos como uma das causas da pobreza menstrual. Esse argumento pode ser comprovado com base em dados divulgados pela Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), os quais apontam que cerca de 4 milhões de meninas não têm acesso a produtos de higiene pessoal, como os absorventes, durante a menstruação. Isso faz com que, durante esse período, essas jovens façam uso de itens inadequados para limpeza individual, o que as deixam suscetíveis a contrair doenças, por exemplo.Nota-se, desse modo, que a vulnerabilidade social é um dos desafios para combater a carência menstrual.
Ademais, o Estado deve, em segundo plano, aprovar o projeto de lei que está em andamento, no intuito de que a situação de vulnerabilidade social seja completamente cessada. Dessa forma, o estado de anemia proposto por Durkheim poderá ser minimizado.