Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 19/02/2022

De acordo com o Artigo 6° da Constituição Federal de 1988, a saúde é um direito de todos e é dever do Estado garantir isso. Entretanto, a pobreza menstrual, que afeta diversas pessoas no país e, consequentemente, gera diversos problemas de saúde para essas, vai contra o que consta na lei. Desse modo, medidas precisam ser tomadas para ajudar no combate a essa situação.

Primeiramente, é importante ressaltar que pobreza menstrual é a falta de acesso a produtos básicos que garantem a higiene pessoal - como absorventes - a qualquer pessoa que menstrua. Além disso, de acordo com a Fundação das Nações Unidas, uma a cada quatro brasileiras vivem nessas condições, o que é inadimissível em um país onde 52,2% da população são mulheres. Apesar disso, em 2021, o governo federal barrou o projeto que previa distribuição de absorventes a estudantes de baixa renda em escolas públicas, alegando não ser essencial. Dessa forma, a dificuldade em solucionar esse grande problema social ficou ainda mais difícil.

Consequentemente, a precariedade menstrual acaba agravando diversas doenças, além de contribuir para o surgimento de novas. Segundo o jornal O Globo, aproximadamente 26% das meninas entre 15 e 17 anos não tem condições de comprar produtos de higiene intíma e precisam apelar para meio alternativos de conter o fluxo menstrual - como papel, pedaços de pano e até mesmo miolo de pão - que muitas vezes podem causar infecções graves e fatais. Um exemplo disso, é que no estado do Ceará, de acordo com o Diário do Nordeste, cerca de 170 meninas são internadas todo ano por conta de Doença Inflamatória Pélvica (DIP), causadas por conta da carência menstrual. Sendo assim, enquanto não houver o cumprimento do que está previsto no Art. 6° da Constituição, a pobreza menstrual seguirá prejudicando diversas brasileiras.

Visando isso, para combater a precariedade menstrual é necessario que o Governo Federal, por meio do Sistema Unificado de Saúde (SUS), utilize fundos das loterias nacionais, para distribuir absorventes em regiões mais carentes do país, incluindo escolas públicas, para ajudar todas as pessoas que menstruam a ter uma higiene correta. Destarte, a pobreza mentrual será aos poucos combatida no Brasil.