Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 20/02/2022

A Constituição Federal de 1988,documento máximo do país,declara os direitos e deveres de todos os cidadão,entre eles a saúde.Nesse sentido,esses direitos devem ser garantidos a todas as camadas sociais do território nacional,mantendo assim a dignidade dos indivíduos.Entretanto, no Brasil observa-se a pobreza menstrual como fator que põe em risco a saúde de meninas e mulheres. Assim,em razão do silenciamento social e da ineficiência governamental,emerge um problema complexo,que precisa ser revertido.

Em primeira análise,é válido salientar o silenciamento social como fator de dificuldade para combater a precariedade menstrual.No livro “Presos que menstruam”, é retratada a realidade de detentas que precisam lhe dar com a inexistência de meios higiênicos durante seus ciclos naturais. Analogamente à obra, constata-se em toda a extensão territorial brasileira, realidades semelhantes a de trás das grades. Entretanto, apesar de ser um problema de grande importância e de caráter de urgência, o que se encontra na sociedade além de “vista grossa”,é um tabu associado a menstruação, que colabora ainda mais para a não discussão da temática e seu desconhecimento pela população e a falta de cobranças ao governo.

Além disso,é necessário ressaltar a ineficiência legislativa como fator intensificador do cenário sanitário em que se encontra grande parte da população feminina verde-amarela.Segundo o geógrafo Milton Santos, em seu livro “Democracias Mutiladas”, a democracia só é efetiva quando atinge a totalidade do corpo social. Dessa maneira, milhares de cidadãs têm suas democracias anuladas ,uma vez que as condições básicas para seu desenvolvimento pleno não são garantidas. Este problema respinga ainda em outros aspectos da vida como a jornada acadêmica, da qual muitas vezes as mulheres precisam se ausentar por não ter opções de se proteger em seu período menstrual.

Portanto,medidas são necessárias para reverter o cenário da saúde feminina em todo território brasileiro. Para tanto, o Ministério da Saúde deve promover campanhas nas redes sociais e canais abertos com especialistas da área,como médicos e sociólogos,para atingir o maior número de pessoas e dar credibilidade a