Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 26/02/2022

Embora a constituição federal de 1988 assegure o direito à dignidade a todos os cidadãos, percebe-se que, na atual realidade brasileira, não há o cumprimento dessa garantia, visto que uma grande parcela das mulheres brasileiras ainda sofre com a pobreza menstrual. Sem acesso aos absorventes higiênicos, essas mulheres sentem enormes efeitos sociais e econômicos. Isso é reflexo direto da falta de acesso dessas mulheres aos seus direitos e é perpetuada pela falta de iniciativa do poder público.

Deve-se destacar, primeiramente, como essa problemática reflete a desigualdade social e geográfica do Brasil, com mulheres pobres ou de regiões mais afastadas não tendo capacidade material de adquirir tal produto de maneira satisfatória e digna. Como consequência, se tem o aprofundamento ainda maior das desigualdades já presentes na nossa sociedade, sendo uma questão de suma importância no Brasil moderno.

Ademais, vale destacar que em 2021, o então presidente do Brasil Jair Bolsonaro, vetou a previsão de distribuição gratuita de absorventes femininos para estudantes de baixa renda e pessoas em situação de rua de um projeto que foi aprovado no senado, tal ato demonstra o descaso do poder público com a questão da pobreza menstrual, sendo assim um agente também responsável pela sua perpetuação.

É evidente que não é aceitável que em um país com tantos recursos como o Brasil as mulheres não tenham seus direitos básicos assegurados. Portanto, faz-se imprescindível que a mídia - instrumento de ampla abrangência - faça campanha para concientização e uma construção de debates sobre esse tema, por meio de comerciais periódicos nas redes sociais e debates televisivos, a fim de formar cidadãos informados e influenciar o debate público para que o corpo político vá nessa direção, assim como funciona em qualquer democracia saudável. Paralelamente, o Estado - principal promotor da harmonia social - deve garantir que as mulheres em situação de vulnerabilidade tenham acesso aos absorventes higiênicos, por intermédio de programas e campanhas de distribuição, objetivando amenizar o problema. É impossível construirmos um bom futuro sem resolver os problemas que já deveriam ser do passado.