Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 05/04/2022

A série americana “Orange is the new black” retrata a vida de presidiárias sem acesso a produtos de higiene básica, deste modo, buscando alternativas que substituam os absorventes, elas colocam miolo de pão em suas vaginas. Em conso-nância com a realidade do seriado, está o Brasil, uma vez que a pobreza menstrual é existente e significativa no país. Destarte, a população, em suma feminina, pade-ce com a higiene íntima precária e com a exclusão de atividade sociais durante o período menstrual.

À vista disso, é válido ressaltar que, durante a menorreia, uma parcela popula-cional não tem condições de lavar a região íntima, nem de conter a hemorragia, o que acarreta, frequentemente, em infecções genitais. Desta forma, segundo o so-ciólogo Thomas Marshall, a cidadania só é plena se dotada de direitos civis, políti-cos e sociais - dentre os quais se destacam a educação, a segurança e a saúde. En-tretanto, nota-se que muitos brasileiros não exercem a cidadania em sua plenitude, pois o acesso aos itens de higiene pessoal e ao saneamento básico se restringem, muitas vezes, àqueles que possuem melhores condições econômicas.

Ademais, segundo o filósofo Achille Mbembe, nas sociedades capitalistas, ins-tituições, como o Estado, promovem políticas que restringem acesso de certos gru-pos a condições mínimas de existência. Sob esse viés, mesmo sendo estipulado pe-la OMS o direito de aquisição aos itens de higiene menstrual, o governo brasileiro se contrapõe a essa recomendação, deixando meninas e mulheres em situações de vulnerabilidade. Por conseguinte, esse significativo fragmento social deixa de fre-quentar a escola e o trabalho pela impossibilidade de viver socialmente durante o período menstrual.

Portanto, torna-se imprescindível que a mídia, meio de larga amplitude, inteire a sociedade sobre a realidade das mulheres em situação de pobreza menstrual, por meio de comerciais periódicos, tendo em vista a conscientização e comoção da população. Paralelamente, o Estado, principal propiciador da harmonia social, deve disponibilizar e distribuir absorvente, através dos postos de saúde, a fim de objeti-var que mais mulheres tenham acesso a esses recursos e possam manter suas roti-nas e compromissos durante a menorreia.