Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 31/03/2022
A Organização Mundial da Saúde (OMS) caracteriza “saúde”, com o conceito expandido de 1986, como uma soma de fatores que garantem a melhor qualidade de vida da população, como o acesso a itens de higiene. Atualmente, os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil estão intrisecamente ligados a rejeição desses direitos, pela perpetuação dos padrões de gênero e desigualdade econômica, além da desinformação que cerca as relações sociais.
Primeiramente, nas Crônicas de Gelo e Fogo, livros de George Martin, a função da mulher era, após menstruar, casar-se e gerar filhos, fazendo com que diversas personagens ocultassem a menarca. Fora da ficção, no país, não existem ações palpáveis e extensas, do estado, para a quebra dos padrões de gênero, o que torna o ciclo um instrumento de dominação da sociedade com as mulheres, aumentando os desafios do combate à pobreza menstrual. Ilustrando isso, segundo o Projeto Novo Ciclo, 20% das alunas faltam aula por não possuírem condições mínimas, financeiras e psicológicas, de lidar com sua menstruação com dignidade e segurança sanitária, reforçando a desigualdade entre existente.
Na obra “O caminho para casa”, de Kristin Hannah, a personagem principal não possui condições financeiras de adquirir produtos de higiene, como absorventes, e desenvolve infecção urinária, ao mesmo tempo que não tem acesso a eles na escola. Fora das páginas, na realidade, 70% dos brasileiros recebe, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, menos de 2 salários mínimos, dificultando o acesso a itens básicos e agravando o desafio do combate pobreza menstrual. Simultaneamente, a desinformação tem um papel determinante na priorização da busca por itens de saúde, além de incorporar novas adeptas ao processo de mobilização social para recorrer ao instrumento democrático.
Portanto, os desafios do combate à pobreza menstrual estão ligados a perpetuação dos padrões de gênero, desigualdade econômica e desinformação. Logo é imprescindível que o Governo Federal, distribua, de forma gratuita, itens de higiene nos postos de saúde, escolas e banheiros públicos a partir do Ministério da Saúde e, juntamente ao Ministério da educação, crie campanhas educativas para educar os jovens do uso, reduzir as faltas em escolas e sobre como tratar doenças.