Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 18/03/2022
Em sua obra “o Cidadão de Papel”, o escritor brasileiro Gilberto Dimenstein comenta que, embora o país apresente um conjunto de leis bastante consistente, elas se atêm, de forma geral, ao plano teórico. Diante disso, convém analisar as principais consequências dos desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil. Esse cenário nocivo ocorre não só em razão da falta de acesso à higiene menstrual, mas também devido a desigualdade social.
De acordo com o filósofo Raimundo de Teixeira Mendes que, em 1889, adaptou o lema “Ordem e Progresso” não só para a Bandeira Nacional Brasileira, mas também para a nação que, na atualidade enfrenta inúmeras dificuldades para o seu desenvolvimento. Infelizmente, entre eles, a falta de acesso à higiene menstrual, que representa uma contradição máxima ao símbolo pátrio, uma vez que tal postura resulta na desordem e no retrocesso do desenvolvimento social. Sob essa ótica, devido à baixa atuação das autoridades, o obstáculo, enfrentado por pessoas com útero, passou a ser uma questão de saúde publica e de direitos humanos e a falta da mesma passa a ser uma violação a garantia a higiene – tido como direito pela ONU desde 2014.
Da mesma forma, é igualmente preciso apontar a desigualdade social, como outro fator que resulta no retrocesso do desenvolvimento coletivo. Segundo um levantamento realizado pela UNICEF, mais de 4 milhões de meninas não tem acesso a itens necessários para os cuidados menstruais, e desse total, 37% são meninas negras que moram em locais sem saneamento básico. Diante de tal exposto é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
Portanto, pode-se perceber que a falta de acesso à higiene menstrual e a desigualdade social dificultam o combate à pobreza menstrual no Brasil. Nesse viés, uma possível transformação no quadro atual deve ser alcançada por intermédio do Governo Federal. Por meio da criação de leis, que ressaltem a necessidade da distribuição gratuita de materiais higiênicos, como, absorventes internos e externos, em postos de saúde, para pessoas com menor poder aquisitivo, afim de evitar a continuação desse problema.