Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 20/03/2022
O documentário “Pandora’s Box” tece histórias de mulheres do vilarejo de Maasai que são forçadas a faltar à escola, simplesmente porque não têm acesso a supri-mentos mentruais básicos. No Brasil, a pobreza menstrual ainda é um desafio e um tabu a ser enfrentado. Nesse contexto, destacam-se dois aspectos importantes: as dificuldades para ter acesso a kits de higiene menstrual básica e a consequente e-vasão escolar de pessoas que menstruam.
Em primeira análise, evidencia-se a situação de vulnerabilidade social de mulheres que sofrem com a pobreza menstrual e a falta de informações sobre seu ciclo. Em um contexto social o qual milhares de mulheres estão desempregadas, agravando suas condições socioeconômicas, os preços dos absorventes, por exemplo, têm tri-butação média de 34, 48%, o que distancia ainda mais as mulheres de possuírem condições de higiene básicas. Nota-se também que, pela falta de acesso a esses produtos e informações, muitas mulheres utilizam miolo de pão, algodão e panos para substituir o absorvente tradicional, o que pode causar infecções graves.
Além disso, a pobreza menstrual leva meninas a não querer ir à escola, o que causa evasão escolar, mais acentuada na faixa etária dos 13 aos 19 anos. No Brasil, cerca de uma em cada quatro meninas faltam à aula por não possuírem absorventes, afetando seu desempenho escolar. Essa situação também afeta a saúde mental dessas meninas, em função do estresse, desconforto e bullying, que pode aconte-cer pelas roupas manchadas, consequência dos ciclos irregulares e fluxos de san-gue inesperados, comuns na fase de crescimento.
Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. O Ministério da Educa-ção, juntamente com o Ministério da Saúde, deve propor um projeto de conscien-tização nas escolas a fim de difundir informações sobre menstruação, além de dis-tribuir gratuitamente kits de higiene menstrual nos postos de saúde, por meio de um projeto de lei a ser entregue à Câmara dos Deputados. Isso resultaria em mais informações para as pessoas que menstruam e propiciaria o acesso a condições de higiene básica, melhorando também, a qualidade de vida das pessoas envolvidas.