Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 25/03/2022

A obra “Cidadão Invisível” trata da desvalorização de alguns indivíduos na socie-dade brasileira. De fato, a crítica de Dimenstein é verificada na questão da pobreza menstrual no Brasil, visto que muitas mulheres vivem em situações de higiene íntima precaria, pois nem todas tem acesso ao mínimo, isto é, ao absorvente. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contorno específicos, em virtude da má aplicação legislativa somado ao silenciamento frente ao assunto.

Diante desse contexto, existem leis que respaudem o problema, objetivando a distribuição de absorventes e coletores menstruais, mas tais legislações só funcio-nam na teoria e deixam uma lacuna na prática. Segundo Hannah Arendt, a essência dos Direitos Humanos é o direito a ter direito. Nesse sentido, é responsabilidade do governo garantir a entrega gratuita de absorvetes, executar as leis preexistentes e revisa-las, a fim de suprir as necessidades da camada feminina da sociedade, principalmente das mais periféricas.

Além disso, a marginalização menstrual encontra terra fértil na falta de infor-mação. Por essa óptica, Habermas traz uma contribuição relevante ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Desse modo, o silenciamento acerca do assunto menstruação, dificulta o acesso das fêmeas aos itens íntimos, isso ocorre porquê a sociedade patriarcal colocou o fluxo sanguínio da mulher, bem como sua sexualidade, como sinônimo de sujeira, pecado e principalmente vergonha. Como resultado, fez com que o assunto fosse pouco debatido e considerado de menos relevância.

Portanto, inubitavelment, medidas são necessárias para resolver esse proble-ma. Como solução, é preciso que as escolas, em parceria com o Ministério da Saú-de promovam um espaço para rodas de conversas e debates sobre menstruação no ambiente escolar. Tais eventos devem ocorrer no período extraclasse, contando com professores e ginecologistas. Além disso, não devem se limitar aos alunos, mas ser aberto à comunidade, a fim de que mais pessoas compreendam esse fluxo vital. Também é importante, que o Poder Executivo efetue a legislação, entregando absorventes não só nas escolas, mas também nos banheiros de âmbitos sociais.