Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 11/04/2022

O verso “Nenhum problema nos pode parecer normal ou impossível de se resolver” do poema de Bertolt Brecht, fala muito sobre o fato de a sociedade normalizar certos problemas sociais e não procurar solucioná-lo. Para além da poesia, podemos relacionar o poema com a pobreza menstrual encontrada no Brasil, já que por ser um problema enfrentado somente pelas mulheres, é esquecido e negligenciado, trazendo problemas graves para a sociedade. Para a reversão deste quadro, faz-se necessário combater certos desafios.

De início, é importante destacar que a desigualdade finaceira encontrada no Brasil é um obstáculo a ser vencido. Sob essa ótica, segundo dados coletados por um pesquisa feita pela ONU, quase 13% da população brasileira vive com menos de R$246 reais por mês. Nesse sentido, é evidente que menstruar “custa caro”, já que muitas mulheres não têm como arcar com essas despesas todos os meses. Além do fato de que o Estado não fornece a devida assistência à mulher, visto que as estruturas públicas de escolas e hospitais falham no quesito acesso à produtos de higiene básica, assim deixando a mulher a mercê da própria sorte.

Além disso, é necessário ressaltar que a desinformação e o tabu são obstáculos que devem ser enfrentados para combater a pobreza menstrual. Sob esse viés, segundo o filósofo Kant, o ser humano não é nada além daquilo que a educação faz dele. Nesta perspectiva, por causa da precariedade da educação pública e o tabu, que circunda o tema da menstruação, pouco se é conversado com meninas sobre a importância da higiene menstrual e como lidar com ela, assim deixando-as completamente vulneráveis e sozinhas e a mercê dos seus próprios julgamentos.

Portanto, para combater a pobreza menstrual, cabe ao Ministério da Educação, junto à mídia, promover propagandas sobre o incentivo a falar abertamente com meninos e meninas sobre a higiene menstrual, a fim de garantir uma sociedade mais igualitária. Ademais, cabe ao Estado contemplar a realidade de meninas e mulheres no país. Isso deve ocorrer por meio de políticas públicas de distribuição de absorventes em hospitais, escolas e penitenciárias- as quais são extremamente negligenciadas e esquecidas pelo Estado- a fim de garantir uma vida melhor para todas as mulheres. Assim, visando fazer acontecer o que o poema de Bertolt presa.