Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 29/03/2022

A saúde, assim como a segurança e a educação, são os mais básicos direitos garantidos pela Constituição Federal de 1988. Entretanto, a falta de acesso a itens de higiene que contemplam desde saneamento básico até absorventes menstruais implica não só no descaso a saúde das pessoas que menstruam, mas também no acesso à educação e à segurança. Políticas públicas de acessibilidade e garantia aos direitos assegurados pela Constituição no Brasil são urgentes.

Segundo a CNN Brasil, mais de 4 milhões de meninas não têm acesso aos itens de cuidados e higiene pessoal ligados à menstruação, sendo meninas negras a maioria neste dado alarmante. No Brasil, a bagagem histórica do povo preto está diretamente ligada aos 37%, se comparado aos 24% das meninas brancas, a viverem em precárias condições de saúde. Escravidão, navios negreiros, cortiços e as atuais favelas fazem parte da vivência deste povo há séculos, e a maior consequência é a defasagem, principalmente das pessoas que menstruam, aos estudos e ao trabalho.

No Congesso Nacional, os homens são maioria na Casa, o que explica a falta de interesse do Parlamento em propor e aprovar Projetos de Lei que contemplem as mulheres. Não coincidentemente, são também homens brancos a ocupar a maior parte das cadeiras, e o povo branco tem certa dificuldade em reconhecer os desafios sofridos pelos pretos e pelas demais minorias sociais. Isso se deve em parte pelo machismo e racismo tão enraizados na sociedade brasileira, assim como preocupações menos urgentes, que são tão debatidas, como o voto impresso auditável e a ideologia de gênero nas escolas, ambas pautas que não apresentaram provas atestando sua veracidade, enquanto existem dados acerca da pobreza menstrual.

Por conseguinte, o Governo Brasileiro deve, urgentemente, iniciar a distribuição de itens como absorventes, calcinhas absorvíveis e coletores menstruais nas escolas e nos postos de saúde, além de garantir e realizar obras de acesso ao saneamento básico. Cabe à população se atentar aos políticos que tenham pautas que incluam as minorias em seus planos de governo, afim de transformar a realidade das pessoas que tanto sofrem com a falta de direitos e suas dignidades.