Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 01/04/2022
É retratado no livro “Quarto de Despejo” da autora brasileira Carolina Maria de Jesus, o diário de sua vivencia nas favelas do Brasil. Dentre todos os desafios que ela, sendo uma mulher preta e carente enfrentou, um deles é a pobreza menstrual, visto que em decorrência a sua baixa renda, a autora era submetida a péssimas condições de higiene nesse período, tendo que usar jornais para substituição de absorventes. Nessa perspectiva, é fato que pobreza menstrual é recorrente no Brasil, uma vez que muitas pessoas com útero não tem condições financeiras para garantir a higiene em seus períodos menstruais e faltar informações sobre a menstruação para a população brasileira.
De início é notório destacar que, no Brasil, a higiene para os cidadãos que menstruam é precária. Isso porque muitos destes cidadãos não tem acesso a itens básicos de higiene, como banheiros, chuveiros, absorventes, ou até mesmo água canalizada. Tendo em vista que aproximadamente 13% da população vive com menos de R$ 246 reais por mês e que para manter a saúde menstrual seria gasto mensalmente em média R$ 30 reais em itens de higiene, esses itens básicos se tornam “luxo” para a parcela carecida da população.
Ademais, cabe ressaltar que assuntos como menstruação ainda são vistos como tabus na contemporaneidade. Esse contexto envolve a falta de discussão e apoio para as pessoas com útero, pois existe um receio em falar abertamente acerca da menstruação. Sendo assim torna-se urgente reconhecer que esse processo resultou não apenas na desinformação, como também na vergonha e/ou medo de situações comuns como vazamentos, e assim fazendo com que muitas pessoas que menstruam se privem de suas atividades diárias para ficarem reclusas em casa.
Com objetivo de minimizar pobreza menstrual no Brasil, é dever do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, garantir o acesso à produtos de higiene menstrual para a população necessitada por meio de políticas públicas, visando a distribuição desses itens em órgãos públicos como postos de saúde e escolas. Outrossim, cabe ao Ministério da Educação promover campanhas e palestras sobre a menstruação nas escolas, para que a população consiga se informar a respeito dessa temática.