Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 02/04/2022

No filme “Red: Crescer é uma fera”, a mãe de Ming Lee acha que a filha menstruou pela primeira vez, por isso, tenta criar uma situação em que possa explicar como funciona e fornecer todo apoio emocional para que ela passe por essa fase. Fora da ficção, refletir sobre os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil é imprescindível, uma vez que muitas meninas não tem o mesmo acompanhamento, nem acesso a informação, saneamento básico ou produtos para enfrentar esse ciclo mensal, dificultando mais suas lutas diárias.

Em primeira análise, a desigualdade social é um obstáculo que acompanha o país desde o parto, e está refletida em muitas situações, especificamente, na pobreza menstrual. Desse modo, segundo o Girl Up (movimento que tenta unir as mulheres do mundo em torno de causas femininas), das 7,5 milhões de meninas que frequentam escolas, 17% não tem acesso a água e 25% não possuem absorventes. Destarte, esse é o espelho da realidade de muitas jovens e mulheres ao redor das Terras Tupiniquins, que as vezes não possuem recursos financeiros e nem condições dignas de habitação para viver, acentuando cada vez mais esse entrave.

Outrossim, o estigma associado a esse período é muitas vezes colocado como um assunto a ser escondido. Consequentemente, a sociedade estabelece que a mulher, desde pequena, deve evitar transparecer que está menstruada, criando uma espécie de “medo” em relação a algo inerente ao corpo feminino. A exemplo disso, o documentário “Absorvendo o tabu”, apresenta a realidade no interior da Índia, em que meninas não podem aparentar “aqueles dias”, os homens acreditam que é uma doença ou que estão impuras, e elas usam pedaços de pano em vez de absorventes para estancar o sangramento.

Desta feita, a real necessidade de ações governamentais movidas pelo governo federal, em parceria com o Ministério da Educação, faz-se necessária no direcionamento de verbas para a educação menstrual nas escolas, por meio de palestras e aulas com intuito de conscientizar, além disso, a distribuição gratuita de absorventes dentro e fora do ambiente escolar. Assim, criando uma rede de suporte para essas mulheres como a mãe de Ming Lee foi para ela, tornando-as acolhidas e criando uma sociedade mais empática e solidária.