Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 05/04/2022

Ponta do Iceberg

O documentário “Absorvendo Tabu”, produzido pela Netflix, retrata a dificuldade que as meninas indianas têm para ter acesso ao absorvente e para continuar a vida escolar pós menarca. Infelizmente, no Brasil essa história se repete. No país onde 100 milhões de pessoas não tem acesso ao saneamento básico, como afirma o Instituto Trata Brasil, a pobreza menstrual é a ponta do Iceberg.

De acordo com a senadora Zenaide Maia, cerca de 13% da população brasileira vive com menos de 246 reais por mês e a higiene menstrual acaba sendo desprezada. Esse desprezo se deve por vários motivos, entre eles, os preços abusivos dos absorventes, que recebem um imposto maior por serem produtos femininos, chamado Taxa Rosa.

Esse desprezo também ocorre por parte governamental, que boicota atitudes que vizam combater a pobreza menstrual, como, o artigo que previa distribuição de absorventes para mulheres de baixa renda que foi vetado pelo presidente Jair Bolsonaro.

Os desafios ao combate a pobreza menstrual inclui acesso a água encanada e itens de higiene pessoal. Segundo a Unicef, 713 mil meninas vivem sem banheiro ou chuveiro em casa e 4 milhões sofrem com a falta de itens de higiene. Logo, a distribuição de absorventes é uma medida efetiva, mas é um longo processo até a completa garantia do direito de menstruar.

Para que a pobreza menstrual seja combatida é necessário a melhoria da saúde e higiene pública no geral, garantindo saneamento básico e itens de higiene para todas. Logo, torna-se necessário a distribuição de absorventes intimos nas escolas, unidades básicas de saúde e albergues femininos, com enfoque na população de baixa renda, visando o não constrangimento dessas mulheres. Juntamente com a distribuição, torna-se necessário a isenção da Taxa Rosa, que aumenta o valor de produtos intimos femininos, acarretando na diminuição dos preços e no aumento da acessibilidade desses produtos.