Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 09/04/2022

Ao afirmar em sua célebre canção “o tempo não para”, o poeta Cazuza faz, de certo modo, uma comparação entre o futuro e o passado. De fato, ele estava correto, pois a pobreza menstrual não é um problema atual. Na idade média, por exemplo, eram usados retalhos de tecido para lidar com a menstruação. Nesse prisma, destacam-se dois aspectos: a evasão escolar e a ausência de investimentos.

A Constituição Federal de 1988 determina em seu 6° artigo a educação como um direito social. Porém, de acordo com a ONU, uma em cada dez meninas faltam à escola no período menstrual. É certo que são necessárias ações para combater esse problema, visto que muitas mulheres deixam de frequentar o ambiente escolar por não ter a estrutura adequada, tanto em suas casas, quanto nas escolas.

Além disso, é notória a falta de recursos financeiros como um dos desafios à resolução do problema. Desse modo, segundo o filósofo Karl Marx, a base de uma sociedade capitalista é o capital. Consoante a isso, o absorvente ainda é visto para muitos como um artigo de luxo, o que evidencia a lacuna de investimentos, que vem sendo negligenciada, tornando sua solução ainda mais difícil de ser alcançada.

Depreende-se, portanto, a adoção de ações que venham combater a pobreza menstrual no Brasil. Dessa maneira, cabe ao poder Legislativo criar leis, que garantam a distribuição de absorventes, por meio das unidades básicas de saúde dos bairros, a fim de proporcionar o acesso a produtos de higiene básica, e, assim, acabar com esse impasse que afeta muitas mulheres.