Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 11/04/2022

A Declaração Universal dos Direitos Humanos atesta que todo ser humano tem direito à dignidade, integridade corporal, saúde e bem-estar. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea, é o oposto do que o documento prega, uma vez que o combate à pobresa menstrual no Brasil apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos ideais da DUDH. Esse cenário antagônico é fruto tanto da desigualdade social quanto da rede infraestrutural deficitária.

Precipuamente, é fulcral pontuar que os empecilhos na garantia de acesso aos direitos básicos por pessoas que menstruam derivam da desigualdade social traduzida na pobreza econômica, no que concerne a impossibilidade de comprar produtos de higiene básica, como absorventes, vivida por 25% das brasileiras. Nesse contexto, segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, o que é inverossímel no país, já que o governo negligencia a pauta e gradualmente extingue programas sociais. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal.

Ademais, é imperativo ressaltar, também, o déficit da rede infraestrutural no país como outra promotora do problema. Sobre isso, de acordo com a Cruz Vermelha Brasileira, mais de 700 mil meninas vivem sem acesso ao saneamento básico, seja em suas residências, ou escolas. Partindo desse pressuposto, fica evidente que os números são preocupantes, já que a ausência do acesso ao saneamento básico leva ao desenvolvimento de onfecções e alergias. Tudo isso, então, retarda a resolução do empecilho, já que a inacessibilidade ao saneamento básico por parte das classes mais pobres contribui para a perpetuação desse quadro deletério.

Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. Dessarte, com o intuito de mitigar os empecilhos, nessecita-se urgentemente que o Ministério da Saúde desenvolva projetos para a disponibilização de produtos de higiene básica, como absorventes, sabonetes, papel higiênico e caminhões pipa de forma gratuita para toda a população, ou para a parcela que nessecita, por meio de projetos de lei e investimento de dinheiro público, e também, que o Ministério da Educação promova reformas em suas instituições escolares, por meio da disponibilização de verba pública, para a construção de banheiros, afim de garantir os direitos humanos às pessoas que menstruam. Só assim o combate à pobreza menstrual no Brasil poderá alavancar.