Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 25/04/2022

O documentário Absorvendo o Tabu retrata o cotidiano das mulheres que vivem na Índia durante o período menstrual, e expõe a falta de acesso das pessoas de baixa renda ao uso de absorventes. Entretanto, sob o aspecto da pobreza menstrual, a realidade das brasileiras é semelhante a vivência das indianas. No Brasil, uma das causas da negligência aos utensílios que evitam vazamento da menstruação é a extrema desigualdade social, o que gera um impacto direto na educação da po-pulação feminina no país.

Nesse sentido, é válido salientar que a possibilidade de obter absorventes é muito baixa quando se trata de pessoas em situação de miséria financeira. Em uma pesquisa realizada pela CNN Brasil se obteve dados que indicam que mais de 4 milhões de meninas não possui acesso aos itens de cuidados mentruiais nas escolas.Com o baixo poder de compra, para parte da população brasileira se torna difícil a posse de absorventes criando obstáculos para que elas lidem com esse estímulo natural do útero.

Além disso, é nítido que mulheres que menstruam sem poder manter a higiene pessoal durante essa fase, são afetadas na área educacional. Em uma entrevista realizada pelo jornal do Fantástico, transmitido pela emissora Globo, a repórter recolheu diversos relatos de indivíduos que não podiam ir até a escola quando estavam sangrando, pois não podiam conter o fluxo com nenhum material. Dessa forma, é gerada uma falha na educação dessas moças, gerando faltas repetitivas e inevitáveis nas escolas, negligenciando parte do conteúdo educacional.

Infere-se, portanto, que medidas devem ser tomadas para que o impasse seja amenizado. Para que isso ocorra, as lideranças das escolas em que parte dos estudantes são afetados pela falta de recursos para materiais contentores de fluxo menstrual, em parceria com a prefeitura, devem elaborar abaixo-assinados exigindo do Estado maior atenção e investimento financeiro aos espaços prejudicados. Tais documentos devem ser enviados para o site “Fala.BR”, plataforma de ouvidoria do poder público. Com isso, o governo se conscientizará acerca da destinação justa de verbas para esses ambientes. Essa ação irá promover a democratização da educação e acesso à dignidade no período menstrual.