Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 29/04/2022
O dia 28 de maio é conhecido mundialmente como Dia Internacional da Higiene Menstrual. Essa data promove reflexão ligada ao cotidiano das mulheres em relação à menstruação no Brasil, afinal, observa-se uma realidade de pobreza e de falta de dignidade menstrual. Nesse contexto, visualiza-se um quadro de desigualdade social, uma vez que parte significativa da população feminina do país não possui recursos financeiros para adquirir itens de higiene. Além disso, percebe-se que muitas meninas não desfrutam de informações importantes referentes a essa ocorrência biológica natural, concepção que ocasiona tabus que despertam sentimento de vergonha.
Nesse sentido, constata-se que considerável número de habitantes brasileiras são negativamente afetadas devido ao fato de não poderem comprar absorventes e coletores menstruais. Esse panorama é fundamentado na pesquisa realizada pela Sempre Livre no ano de 2018, a qual aponta que 22% das meninas entre 12 e 14 anos não podem obter produtos que garantem dignidade menstrual em virtude de impasses financeiros. Quando se trata de meninas entre 15 e 17 anos, essa estatística atinge 26%. Diante disso, compreende-se que a disparidade social acarreta experiências arriscadas e injustas no que se refere à saúde feminina, já que as vítimas recorrem a ferramentas inadequadas para conter o fluxo menstrual (como panos e restos de jornais), as quais podem provocar infecções graves.
Ademais, nota-se que grande quantidade de garotas têm vergonha desse acontecimento natural em virtude da falta de informatização qualificada, que suscita tabus e preconceitos encaminhados à menstruação. Tal cenário é representado no documentário da Netflix “Absorvendo o Tabu”, o qual relata que muitas meninas na Índia se sentem constrangidas diante dos seus fluxos menstruais porque consideram tal fenômeno como “impuro”. Esse acontecimento também se faz presente em território brasileiro, ressaltando a necessidade de orientação proveniente do diálogo.
Portanto, medidas devem ser tomadas em prol do combate à pobreza menstrual no território nacional. Para isso, o Ministério da Saúde deve investir recursos na distribuição gratuita de absorventes internos e externos em espaços públicos - como escolas e postos de saúde - para que as mulheres tenham acesso ao cuidado adequado. Outrossim, cabe ao Ministério da Educação alterar a grade curricular das instituições de ensino, por meio da inserção de uma educação sexual qualificada que forneça orientações a todos os estudantes acerca dos parâmetros que envolvem a menstruação. Dessa maneira, o ideal do dia 28 de maio será devidamente efetivado diante da luta contra esses conflitos.