Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 26/10/2022
Em conformidade à Primeira Lei de Newton, a lei da inércia, um corpo tende a permanecer em repouso quando não possui uma força atuando sobre ele. De maneira análoga, tem-se o perturbador índice de mulheres e de homens trans em condições precárias de higiene que permanecem inertes, visto o despreparo das instituições para enfrentar os desafios no combate à pobreza menstrual. Ademais, a persistência dessa mazela deve-se à banalização da irracionalidade e ao descaso governamental.
Segundo Hannah Arendt, filósofa alemã, a banalidade do mal ocorre quando o indivíduo negligencia determinado problema social. Paralelo a isso, é perceptível o desprezo da sociedade para com a necessidade de discutir a respeito da importância de mitigar a falta de acesso a absorventes, visto que a irracionalidade evidencia a alienação social. Sendo assim, a escassez de itens básicos de higiene, para algumas pessoas com útero, gera vergonha para a realização de tarefas básicas do dia a dia, como, trabalho e escola.
Além disso, a Constituição federal de 1988 assegura o direito de acesso à saúde a todos os cidadãos brasileiros. Entretanto, muitas pessoas ainda não gozam dessa constituinte, tendo em vista o grande descaso governamental em relação ao combate da pobreza menstrual. Portanto, observa-se a falta de subsídios financeiros atrelados ao enfrentamento desse problema. E consequentemente, tem-se o aumento da estratificação social e o não cumprimento dos direitos estabelecidos por lei.
Logo, cabe ao governo instituir um comitê gestor—formado por um representante de cada área—, por exemplo, Ministério da Saúde, diretores de postos do SUS e mídias (televisivas, cibernéticas e impressas). Essa ação se dará por meio de um plano de combate, em que haverá maior direcionamento de verbas e campanhas informativas sobre a evidência dos desafios no combate à pobreza menstrual. Isso será feito a fim de remediar a irracionalidade e, também, o descaso governamental. Desse modo, ausentando a inércia da realidade brasileira.