Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 29/04/2022

Desde o Iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se observa o combate a pobreza menstrual no Brasil, hodiernamente, verifica-se que esse ideal iluminista é constatado na teoria e não desejavelmente na prática e a problemática persiste intrinsecamente ligada à realidade do país, seja pela falta de infraestrutura adequada e recursos básicos, seja pela falta de conhecimento.

É indubitável que a questão constitucional e a sua aplicação estejam entre as causas do problema. Segundo o filósofo grego Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga, é possível perceber que, no Brasi, a falta de infraestrutura adequada e recursos básicos rompe essa harmonia, haja vista que 713 mil meninas vivem sem acesso a banheiro e mais de 4 milhões não têm acesso a itens mínimos de cuidados menstruais nas escolas.

Outrossim, destaca-se a falta de conhecimento como impulsionador do problema. De acordo com Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e pensar, dotada de exterioridade, generalidade e coercitividade. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que é necessário levar o conhecimento para a sociedade.

É evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem à construção de um mundo melhor. Destarte, o Governo deve fazer campanhas, promovendo a conscientização da sociedade no amparo às mulheres vulneráveis a pobreza menstrual. Como já dito pelo pedagogo Paulo Freire, a educação transforma as pessoas, e essas mudam o mundo. Logo, o Ministério da Educação (MEC) deve instruir, nas escolas, palestras ministradas por psicólogos e ginecologistas, que discutam o combate pobreza menstrual no Brasil, a fim de que o tecido social se desprenda de certos tabus para que não viva a realidade das sombras, assim como na alegoria da caverna de Platão.