Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 03/05/2022

Pobreza menstrual é a falta de acesso a itens básicos de higiene no período menstrual. Pedaço de pano, miolo de pão, pedaço de papel… todos esses itens são ultilizados para substituir os absorventes descartáveis. Essa é a realidade que impacta a vida de muitas mulheres brasileiras.

Segundo uma pesquisa realizada pela Sempre Livre em 2018, 26% de meninas entre 15 à 17 anos e 22% de 12 à 14 anos não tem acesso aos produtos básicos de higiene menstrual. Segundo a ONU, uma em quatro meninas já faltou aula por não poder comprar absorventes, quase a metade delas tentou esconder o motivo da falta e 45% delas relaram que isso afetou negativamente seu rendimento escolar. Com o compromentimento a educação, acaba gerando desigualdade de gênero no mercado de trabalho, que diminui as chances dessas mulheres romper esse ciclo de pobreza.

No Brasil, diferentemente do papel higiênico e da pasta de dente, o absorvente não é visto como item básico, é tido e tributado como artigo de luxo, ou seja, 25% de impostos, o que acaba encarecendo seu custo de fabricação e o produto final. Quem menstrua acaba gastando em média de R$12,00 por mês e R$600,00 por ano.

O impacto disso na vida de mulheres de rua, presidiárias, mulheres que estão em campus de refugiados e até aquelas que estão em vulnerabilidade econômica e social é muito grande. Os itens que elas acabam usando para conter o fluxo pode comprometer sua saúde com o aumento da ploriferação de microorganismos, facilitando infecções.

O ciclo menstrual faz parte da vida da maioria das brasileiras e o acesso aos absorventes deveria ser considerado uma questão de saúde pública e de direitos humanos. O governo federal, por meio do ministério da saúde e do SUS, devem oferecer a distribuição de absorventes para as mulheres que necessitam, essa distribuição pode acontecer em UBS, UPAs, escolas públicas e até mesmo em praças públicas.