Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 04/05/2022
Em 13 de maio de 1888, foi assinada a Lei Áurea, pela princesa Isabel, que decretava a proibição da escravatura em território nacional. Os negros recém libertos, sem muitas opções, se concentraram nas periferias dos espaços urbanos e permaneceram ali esquecidos, sobretudo as mulheres. Passados 134 anos e as descendentes dessas mulheres ainda são as mais vulneráveis em diversas áreas, incluindo a sanitária, caricatura de tal situação é a pobreza menstrual enfrentada por milhares no Brasil, desafio que deve ser combatido coletivamente.
Em primeira análise, é importante destacar que a pobreza menstrual está intimamente relacionada com a ausência de políticas públicas que encarem o problema como ele realmente é, uma questão de saúde e dignidade, não um luxo, restrito àquelas que podem bancar. Paralelamente, a falta de informação e estigmatização do assunto contribuem para a consolidação do tabu que é falar a respeito da menstruação, principalmente em escolas, justamente onde estão as mais afetadas.
Em segunda análise, a insegurança sofrida por mulheres que enfrentam a pobreza menstrual pode acarretar no afastamento do ambiente escolar ou de trabalho, decorrentes de eventuais constrangimentos vivenciados, acentuando ainda mais a desigualdade. Além da questão social, há riscos sanitários envolvidos, que podem resultar no desenvolvimento de doenças ginecológicas, colocando essas mulheres em situações ainda mais vulneráveis.
Portanto, com o intuito de levar dignidade e seguranças a todas as mulheres, é imprescindível que haja, por parte do Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH) aliado ao Ministério da Educação (MEC), a criação de políticas públicas direcionadas às comunidades carentes, na qual ocorra a distribuição de produtos de higiene menstrual em escolas e postos de saúde. Ademais, é necessário a criação de campanhas educacionais voltadas ao público jovem, conscientizando dos direitos e alertado dos riscos que podem ser acarretados pela ausência de higiene pessoal. Só assim, coletivamente, será possível alcançar um Brasil livre da pobreza menstrual.