Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 11/05/2022

Em 2021 o então Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro vetou a distribuição gratuita de absorventes para estudantes de baixa renda e pessoas em situação de rua. Seja pela falta de acesso à recursos básicos de higiene ou pelo isolamento educacional e profissional de pessoas com útero, essa decisão dificulta o enfrentamento dessa situação de vulnerabilidade agravando a pobreza menstrual para milhares de cidadãos.

A falta de água canalizada é uma realidade para quase 1 milhão de mulheres no Brasil, segundo a UNICEF. Esse não acesso é um problema para toda população, mas é um agravo ainda maior para pessoas que menstruam, visto que os cuidados com a higiene devem se intensificar neste período. Essa falta de infraestrutura e de acesso a recursos básicos como água, absorventes e sabonete gera uma maior prediposição à infecções no trato urinário. Como resultado gera-se um problema de saúde particular e geral, ocasionando gastos muito maiores para os postos e secretarias de saúde com o tratamento dessas infecções.

Além disso, a pobreza menstrual gera um isolamento educacional e profissional, pois é comum que pessoas nessa situação de vulnerabilidade se isolem durante este período por vergonha e pelo tabu sobre a menstruação. Como resultado disso, geram-se impactos individuais e coletivos, pois a falta de acesso à educação está diretamente relacionada a oportunidades de trabalho com menor valor agregado.

Dessa forma, é necessário que o ministério da saúde faça campanhas nas escolas por meio da realização de debates - com os alunos, homens e muheres, além dos profissionais que atuam nas escolas- sobre os cuidados necessários nos dias de menorreia para que o preconceito seja substituído por informação. Ademais, as secretarias de saúde devem realizar a distribuição gratuita de itens de higiene, como absorventes descartáveis, coletores menstruais, sabonetes e roupas íntimas, através dos postos de saúde para que o acesso à esses recursos seja garantido para pessoas em situação de vulnerabilidade social e financeira. Quem sabe assim, conseguiremos enfrentar esse problema e diminuir uma das injustiças sociais do Brasil.